Ato Noturno, filme dirigido pela dupla de diretores Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, conta a história de Matias (Gabriel Farias), um jovem ambicioso que descobre uma oportunidade de alavancar sua carreira de ator. Matias se envolve com Rafael (Cirilo Luna), um político em ascensão que valoriza discrição e a moralidade imposta pela sua imagem pública. O encontro desses dois mundos, da arte da política, gera tensão e desejo. Os dois tem fetiche em sexo em lugares públicos, o que alimenta o tom dramático da história.

O longa é ambientado em Porto Alegre, transformando a cidade gaúcha em um palco onde a exposição pública contrasta com o segredo e o risco da exposição. As locações escolhidas são bem conhecidas, até mesmo de quem não é da cidade, como o Parque da Redenção. São lugares de grande circulação de pessoas, conferindo uma ideia real de visibilidade e clandestinidade. A qualquer momento os personagens podem ser pegos, gerando um clima próximo ao de um thriller.
Tecnicamente, Ato Noturno é coerente. A direção de fotografia entrega uma iluminação marcada por sombras, luzes artificiais e muitos ambientes noturnos. A câmera é intimista, se aproximando dos corpos, mas sem revelar o que muitos querem ver (principalmente o público). Ela é cúmplice, ao mesmo tempo que ajuda a esconder, também narra o fetiche. Temos a sensação que tudo é calculado, mesmo parecendo despretensioso.

A trilha e o desenho de som também foram fundamentais para a construção da atmosfera noir. A música nos guia de forma tensa, criando ansiedade, ao mesmo tempo que o silêncio é utilizado para fomentar tensão e conflito. Mesmo de forma linear, o roteiro se mostra bem amarrado. E junto com a edição, entregam clímax e progressão dramática.
Tanto Gabriel quanto Cirilo sustentam seus papéis com segurança. Ato Noturno é quase um ensaio social sobre o preço que se paga pelo desejo de se auto satisfazer, seja através da política, da arte ou do sexo. O longa é um ótimo suspense erótico, um gênero que faz falta no cinema nacional. Algo que era muito comum nos anos 1970, hoje parece raro em nossas produções tupiniquins.








