Os Dragões

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"Os Dragões": Quando ser diferente é incendiar o mundo

Os Dragões é um longa-metragem brasileiro dirigido por Gustavo Spolidoro. O filme foi gravado em 2018 na cidade de Cotiporã, localizada no interior do Rio Grande do Sul, e conta com a participação de atores locais.

A trama acompanha cinco adolescentes de uma comunidade conservadora no topo de uma montanha. Envolvidos na produção de uma peça teatral baseada nos contos de realismo fantástico de Murilo Rubião, os jovens começam a experimentar transformações físicas inusitadas, como o surgimento de escamas e a capacidade de expelir fogo. Diante da repulsa da cidade e do medo da vida adulta, eles devem escolher entre aceitar seu lado “dragão” ou se conformar com as normas locais.

Os Dragões mergulha no universo fantástico de Murilo Rubião, explorando temas como adolescência, identidade, repressão social e transformação. O filme combina elementos de fantasia e drama teen, abordando questões como bullying, protagonismo feminino e diversidade LGBTQIA+.

Spolidoro consegue contornar as limitações orçamentárias com criatividade, utilizando efeitos visuais e maquiagem eficazes para tornar os elementos fantásticos, como as transformações dos adolescentes em criaturas semelhantes a dragões visualmente convincentes. No entanto, as questões humanas e os conflitos internos dos personagens não são tão bem desenvolvidos, o que compromete a intensidade dramática do filme.

A transição de Spolidoro para o cinema fantástico e juvenil, adaptando contos de Murilo Rubião para criar uma narrativa de amadurecimento (coming of age) é interessante. O filme aborda temas como bullying e exclusão social, utilizando a metáfora das transformações físicas dos adolescentes para representar as dores e desafios da adolescência.

Os Dragões lembra obras como Carrie, a Estranha e O Jovem Lobisomem, que também exploram as mudanças da adolescência através de elementos fantásticos. O filme mergulha no universo de Murilo Rubião, precursor do realismo fantástico no Brasil, adaptando seus contos para abordar temas contemporâneos como identidade, repressão social e transformação. O filme também está associado ao projeto educativo “O Despertar dos Dragões”, que visa levar adolescentes de volta às salas de cinema, promovendo debates sobre amadurecimento, empatia e identidade.

O longa aborda a adolescência como uma fase complexa, onde os jovens não são mais crianças, mas ainda não são adultos, explorando as dores e angústias desse período através da metáfora da transformação em dragões.

O filme parece transitar entre o realismo e o fantástico, utilizando elementos fantásticos para explorar questões reais sobre identidade, aceitação e pertencimento. A comunidade conservadora onde os adolescentes vivem representa uma força opressora que dificulta a aceitação das diferenças e da individualidade.

A adaptação da obra de um autor conhecido pelo realismo fantástico pode trazer elementos narrativos e temáticos singulares ao filme. A descrição de uma “linguagem acessível” e um “visual impactante” entrega uma experiência cinematográfica envolvente, especialmente para o público adolescente. A filmagem com o envolvimento da comunidade de Cotiporã (RS) pode ter adicionado uma camada de autenticidade e regionalismo ao filme.

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