Os Fantasmas de Scrooge, de Robert Zemeckis, é uma experiência visualmente deslumbrante e prova pela terceira vez, que Zemeckis é um dos poucos diretores que sabe o que está fazendo com a animação 3D.
A história escrita por Dickens em 1838 continua sendo atemporal e o filme é fiel ao espírito do conto. E levando em conta os filmes anteriores do cineasta, aqui temos um longa totalmente diferente. Antes o herói era rodeado por caricaturas aqui ele é a caricatura.

Jim Carrey pode ser reconhecido em algum lugar da interpretação de Scrooge, graças a captura de movimentos. Novidade alguma para quem já viu O Expresso Polar ou A Lenda de Beowulf. A novidade aqui fica no uso da projeção 3D, que Zemeckis usa com maestria para fazer a platéia entrar de cabeça na Londres vitoriana em que o filme se passa.
Se a animação provê a possibilidade de fazer qualquer coisa, Zemeckis se aproveita muito bem do que tem em mãos. Com isso ele cria ambientações fantásticas regadas por uma iluminação bacana e personagens interessantíssimos.
Os três fantasmas do natal que, ao lado de Scrooge, protagonizam o longa, são espetaculares. O passado, parecendo uma vela, possui uma aura graciosa e bondosa. O presente lembra um bêbado gordo que se diverte com situações sem graça. E bem, o futuro, melhor guardar a surpresa, mas resta dizer que numa tela 3D tudo isso dá certos arrepios.

E se o espectador ainda não se convenceu disso, vale frisar mais uma vez: o 3D representa o futuro dos filmes. Não para jogar coisas na cara da plateia, mas sim para fazê-la se envolver num mundo fantasioso, como Zemeckis faz tão bem.
Scrooge se torna assim, um filme regado de mensagens, belas imagens e sustos. Porém, mais uma vez, deixa a impressão de que o filme não foi feito pra crianças, pode ser impressão! Uma coisa é certa: a qualidade é indiscutível.




