Os Radley

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21.02.2025

“Em um típico subúrbio inglês, uma família aparentemente comum esconde um sinistro segredo, conheçam Os Radley.”

Levemente baseado no livro Os Radley – lançado em 2010 – de Matt Haig, é uma adaptação audiovisual escrita por Talitha Stevenson dirigida por Euros Lyn, e estrelada por Damian Lewis (O Apanhador de Sonhos), Kelly Macdonald (Valente), Harry Baxendale, Bo Bragason, Jay Lycurgo (O Filho Bastardo do Diabo), Shaun Parkes e Sophia Di Martino (Loki).

Dentro do possível é um filme bem feito, que possui uma boa produção e a fotografia é quase sempre muito bonita, assim como as locações, algumas de tirar o fôlego. Porém, os pontos positivos praticamente ficam por aí.

Existe uma fraca tentativa de desenvolver aspectos mais profundos dos personagens, como suas relações amorosas, familiares e de amizade. Esboça também um pouco acerca dos problemas de adultos e questões conjugais, a vida do adolescente e as variadas questões que envolvem alguém dessa idade, porém, tudo de maneira superficial e esquecível.

No mais, sobram apenas os pontos negativos da obra, e que não são poucos, pois, nada aqui ganha o peso e importância que deveria, e em determinados momentos, alguns elementos perdem o foco para dar espaço a aquilo que não interessa, seja para o espectador, personagens ou até mesmo a história. É um filme que mistura diversos subgêneros, mas que se perdem em um mar de tédio e superficialidade, além de uma trama e história muito mal justificadas.

Os elementos cômicos apresentados são sem graça, se é um estilo de humor “de nicho” ao qual eu não estou acostumado, ou se é simplesmente ruim eu não sei, mas, é sonso e não funciona.

O drama – característica que deveria ser a força motriz da história – é fraco, superficial, e é ainda mais diminuído pelo humor sem graça.

Além de desperdiçar um bom “lore”, tenta-se usar o vampirismo como metáfora para alguma coisa, mas, que não fica bem definida, e também se tenta comparar a ingestão de sangue com o uso drogas, e ao vício, mas, fica subutilizado. E além disso, o suspense, o horror, são todos quase inexistentes.

Durante um curto período de tempo existe um corte estúpido na história, em que o protagonismo muda de personagem, passando do irmão (que claramente não tem função em praticamente nada) para a irmã, que gera toda a problemática central, fazendo o filme todo realmente acontecer. Após isso, o protagonismo muda novamente.

Para ilustrar um pouco melhor a crítica, um resumo do filme com um pouco de spoilers:

O filme é sobre o drama privado de uma família misteriosa, que logo revela ser de vampiros abstêmios, no entanto, apenas os pais sabem que são vampiros, e fazem o seu melhor para esconder essa informação de seu casal de filhos. O que não dura muito, já que ao se defender de uma tentativa de estupro, a filha desperta seu vampirismo, e mata o criminoso chupando seu sangue.

Em vista dessa problemática, e a necessidade de proteger a sua família, o patriarca chama seu irmão gêmeo para ajudar nessa missão, já que o mesmo, se alimenta de sangue, tem poderes úteis, e sabe se livrar de um corpo.

Na prática existe uma série de questões e problemas a serem sanados, mas, ao mesmo tempo, o filme também é sobre nada com coisa alguma, e por isso elevam o personagem do tio a um vilão que apesar de óbvio, é também medíocre, já que não existe de fato uma ameaça que precisa ser combatida, e sim algo do tipo “precisamos urgente de um clímax”. O Único ponto positivo é usar esse personagem para fazer os indivíduos superarem suas diferenças, seus problemas pessoais e coletivos, e assim se juntarem para combater um mal maior.

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AUTOR

Pedro Fonseca

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