Outro Pequeno Favor

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"Outro Pequeno Favor", agora com dolce vita e crimes absurdos

Outro Pequeno Favor não tenta fingir que é um thriller sofisticado. Ao contrário, mergulha de cabeça no absurdo e entrega exatamente o que se espera de uma continuação: mais extravagância, mais reviravoltas improváveis e mais Anna Kendrick e Blake Lively em ótimos papeis. Se o primeiro filme já flertava com o exagero, aqui o tom vira regra — e isso, curiosamente, é parte de seu charme.

A trama se passa em Capri, onde Emily (Blake Lively) prepara um casamento glamouroso com seu novo noivo, um herdeiro da máfia italiana chamado Dante. Stephanie (Anna Kendrick), agora uma escritora de true crime sob vigilância domiciliar, é chamada para ser madrinha da cerimônia. Sim, é tão absurdo quanto parece — e o filme sabe disso. Em vez de tentar recriar a tensão de Um Pequeno Favor, essa sequência abraça o nonsense com prazer quase criminoso.

Grande parte da diversão continua vindo da dinâmica entre Kendrick e Lively. Stephanie segue sendo a mãezona estabanada com faro para o mistério, enquanto Emily permanece como a versão fashionista e sociopata de uma femme fatale saída de Gossip Girl. Juntas, elas conduzem a trama com ironia e afiado timing cômico, sustentando o filme mesmo quando ele ameaça desmoronar sob o peso de suas próprias maluquices.

O roteiro se apoia menos no suspense e mais em situações cada vez mais surreais: heranças mafiosas, parentes esquecidos, agentes literários incompetentes e até um casamento com banho de sangue. Tudo embalado por figurinos deslumbrantes e um desfile de personagens caricatos, como a matriarca mafiosa interpretada por Elena Sofia Ricci e a tia insana vivida por Allison Janney. É um exagero consciente e assumido — o que ajuda a manter a diversão, mesmo quando o ritmo tropeça.

Visualmente, Outro Pequeno Favor é um deleite. A ilha de Capri serve como cenário de cartão-postal para a ação, com figurinos meticulosamente ridículos que reafirmam o tom farsesco da história. Paul Feig dirige com leveza, parecendo mais interessado em rir com os personagens do que em surpreender o público com alguma grande revelação. E isso não é uma crítica — é uma escolha coerente com o espírito da sequência.

Mas o filme nem sempre acerta. Algumas subtramas são abandonadas no meio do caminho, e a duração esticada cobra seu preço. Há momentos em que a piada se alonga demais, ou em que o absurdo passa do ponto e ameaça cansar. Ainda assim, a entrega irrestrita ao ridículo, somada ao carisma das protagonistas, mantém o interesse até o fim — mesmo que a história já tenha saído dos trilhos há tempos.

Outro Pequeno Favor não pretende ser necessário, nem melhor que o original. Sua única ambição é divertir — e nisso ele é bem-sucedido. É um desfile de loucura com muito estilo e pouco juízo, mas também uma rara continuação que entende seu próprio apelo. Para quem gostou do primeiro e está disposto a embarcar em uma viagem ainda mais maluca, o convite está feito. E, desta vez, o favor é rir do exagero.

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