A história de redenção de Andy Goodrich diverte a quem se interessa por uma boa tragicomédia familiar. Dirigido por Hallie Meyers-Shyer, filha de Nancy Meyers, e herdeira direta do estilo de “filmes pra se sentir bem” com uma pitadinha de melancolia, o filme costura o retrato de um homem que tenta, tarde demais, acertar as contas com o tempo.

O florescer da relação com seus três filhos, Moose, Billie e Grace, é divertido e cheio de momentos caóticos. Mas como você se sentiria vendo um pai que sempre foi ausente se tornar o “Pai do ano” de repente? Esse é o drama de Grace, interpretada por Mila Kunis. Uso desse gancho para um paralelo pessoal, afinal figuras paternas são frequentemente conflitantes. Assim como Grace, muitas vezes olhei para meu pai e pensei “eu te amo, mas também tenho ressentimentos”. Muito se fala sobre acolher a pessoa em uma jornada pessoal de evolução, mas pouco se fala no desafio de se desapegar de uma visão antiga e previamente formada da pessoa. É satisfatório ver que o filme dá espaço para Goodrich evoluir em sua jornada sem anular os conflitos e consequências de uma vida de distância entre ele e seus filhos.
Sua relação com a galeria de arte à qual dedicou toda uma vida foge do clichê. É genuíno, e Keaton consegue colocar verdade no personagem. Quem já se apaixonou por um negócio pouco lucrativo com certeza vai se identificar.

A participação de Andie MacDowell como Ann, ex-esposa de Andy e mãe de Grace, é um ponto de virada no enredo. Suas cenas trazem o peso do tempo e das escolhas não feitas. Goodrich se depara com uma nova forma de enxergar o tempo, a rotina, seus objetivos e prioridades após tantas ruas sem saída.
Michael Keaton entrega falas e bons monólogos de forma certeira. Existe mérito nos dois lados: tanto na entrega quanto no texto em si, escrito com boas lições, sem cair em clichês apelativos e com um pensamento sincero sobre como nem sempre deixar ir é desistir. Às vezes é pegar perspectiva para o que realmente importa. Pai do Ano funciona como um lembrete engraçado de que a vida é uma obra arte em curso.







