Pinóquio

(2026) ‧ 1h42

11.04.2026

Uma nova versão para o boneco: fantasia, lições e reinvenção de um clássico

A história centenária de Pinóquio, escrita pelo italiano Carlos Collodi, volta aos cinemas em uma nova adaptação no estilo fantasia musical pela Paris Filmes.

A casa de Gepeto está envolta em tristeza desde que ele perdeu a esposa. Sem que o homem saiba, três baratas amigas roubam a chave mágica de uma feiticeira e levam para o carpinteiro. Quando ele abre uma porta oculta na parede, descobre uma câmara onde pode fazer um desejo. É assim que Gepeto pede por um filho, e o brilho mágico que forma a partir do pedido acaba indo parar em um pequeno tronco no canto da sala. Empolgado pela possibilidade de tornar seu desejo realidade, o carpinteiro começa a trabalhar no tronco, e esculpe um menino de madeira que chama de Pinóquio. Eles passam todo o tempo juntos, ensinando e aprendendo um com o outro, e quando Pinóquio finalmente parece pronto, Gepeto decide leva-lo à escola. A partir daí a vida dos dois passa por uma drástica reviravolta, e uma grande aventura tem início.

Essa versão você definitivamente ainda não viu. Os elementos clássicos da história que todos conhecem estão lá, mas com muitos pontos novos incorporados, principalmente visuais. A narrativa é bem teatral, com cada pedaço da trama sendo contato em cenas que se assemelham a atos, com outras adicionais onde efeitos de stop motion por exemplo foram incluídos. Fica um pouco mal amarrado, mas quando comparado com o texto original, publicado em folhetins, não está longe.

Outro detalhe é a quantidade de personagens. Fica difícil dar o devido peso a todos eles, aprofundar seus arcos, mas ao mesmo tempo, eles são uma passagem da vida do boneco de madeira, servem como aprendizado para ele, e então cada um segue seu caminho, pode não ser a melhor alternativa, mas nem por isso deixa de funcionar.

A grande questão que faz essa versão de Pinóquio merecer o estouro da pipoca é a forma como os ensinamentos da fábula foram atualizados. Elas vão além de “a escola é boa para você” ou “não confie em estranhos”, e ficaram bem adaptadas, como na cena em que Gepeto diz ao filho “Você não pode ser amigo de pessoas que te quebram”.

Por último, e por mais que seja impossível não comparar o longa com outras adaptações, vale lembrar que, também como no caso do livro de Collodi, este filme é destinado ao público infantil, então sua simplicidade, exagero, caracterização, é feito para os olhinhos que, assim como Pinóquio, conseguem ver a mágica acontecendo.

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AUTOR

Thais Wansaucheki

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