Pontes dos Espiões

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Mr. Spielberg e Mr. Hanks voltam à telona com gás total - e muita espionagem - em "Pontes dos Espiões"

O cara que já entregou filmes como Tubarão, Indiana Jones, E.T., Jurassic Park, A Lista de Schindler… (vou parar por aqui senão a resenha vai se resumir a uma lista das realizações do Mr. Spielberg – e isso todo mundo já sabe), mas que nos últimos tempos também apresentou Lincoln (não o caçador de vampiros, não, aquele até que é divertido!), e Cavalo de Guerra (que têm lá seu mérito, mas não são, assim, incrí­veis), está com um filme novinho em folha nos cinemas (novamente em parceria com Tom Hanks, que já trabalhou com ele em O Resgate do Soldado Ryan, Prenda-me se for Capaz, O Terminal) sobre guerra, espionagem, com explosões (não, é mentira) e muita tensão (isso tem sim!), mas que fala, sobretudo, sobre pessoas e seus problemas sendo humanos: Ponte dos Espiões.

James Donovan (Tom Hanks) é um advogado especializado em seguros que é convocado a defender um espião russo, Rudolf Abel (Mark Rylance). Ele logo de cara vê que o trabalho é uma bucha, mas faz o seu melhor – ou melhor, faz melhor do que era esperado, pois a ideia era que ele defendesse o cara por defender, pois que americano em sã consciência, no meio da Guerra Fria, nos Estados Unidos, defenderia um russo acusado de ser espião? O Donovan, claro, pai de família, homem sério, tomou o trabalho nas mãos e lutou de verdade pra realizá-lo da melhor maneira possível. E isso acaba fazendo com que haja a possibilidade dos EUA trocarem um preso de guerra americano pelo espião russo, mas não sem antes meter o Donovan em diversas enrascadas, ao mesmo tempo em que ele aprendeu um bocado, e ensinou outro tanto a uma porção de gente.

A história do filme é muito interessante – sempre saio dos filmes do Mr. Spielberg sabendo um pouquinho mais sobre guerras, e conflitos, e costumes, e leis, e aliení­genas, às vezes. Ponte dos Espiões não é diferente, tendo como pano de fundo a Guerra Fria, com cenas que mostram soldados da RDA erguendo o malfadado Muro de Berlim, na década de 1960, e outras com pessoas tentando pular o muro e morrendo baleadas. Mas no meio de tudo isso, que também inclui os treinamentos que as crianças recebiam nas escolas americanas, com instruções de como reagir em caso de um ataque atômico, estão pessoas como Donovan, que acreditam que pessoas são pessoas, são seres humanos, ainda mais nos Estados Unidos, um país formado por imigrantes irlandeses, alemães, poloneses, russos, que fazem parte de uma nação soberana e que possui uma constituição que os defende a todos, independente de suas origens, credo, e seja lá mais o que for. Pelo menos era como Donovan achava que a coisa funcionava, até precisar apelar pra lei. Aí ele descobre que existem “nós” e “eles”, e que as leis não são bem as mesmas pra pronomes diferentes.

História incrí­vel, roteiro bem amarradinho, Mr. Hanks está sensacional no seu papel de pai-bonachão-com-emprego-estável-chato-que-é-retirado-da-zona-de-conforto-pra-ser-herói-horay, os outros atores também estão bem em seus papéis (a tranquilidade de Mr. Abel, mesmo podendo ser condenado à morte, contrasta fortemente com a ansiedade de Donovan frente à falta de interesse do sistema judiciário americano no caso do espião), e o filme está do jeito que a gente espera que um filme do Mr. Spielberg esteja (pelo menos os da leva Schindler pra frente, que são sobre algum tipo de guerra – não, não tem nenhum E.T. neste filme). Tudo bem, a trilha sonora às vezes sacaneia um pouco (sabe quando eles colocam aquela música dramática bem naquela hora, ou aumentam o volume dela, ao mesmo tempo em que jogam um cisco no teu olho?), mas nada de anormal.

Bom, se ainda não consegui te convencer, vou usar de trapaça agora: o filme é baseado em fatos reais (ah, agora te peguei, né?). E tá muito bom. E tem Tom Hanks. E quem dirigiu foi o mesmo cara que dirigiu a metade dos filmes que você sabe o nome completo de cor. E a safra do milho de pipoca foi extraordinariamente boa este ano. Beijos, fui.

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