“Natalie é uma corretora de imóveis, focada em vender uma mansão que está a muito tempo vazia. O que ela não esperava era de que o passado daquela residência retornasse para lhe assombrar. “
Escrito e dirigido por David Charbonier e Justin Powell, estrelado por Alicia Sanz e Raúl Castillo (Looking: O Filme), com cinematografía de Daniel Katz, Push: No Limite do Medo é um Home Invasion de suspense intenso, que com seu plot twist suave e cena pós crédito, busca subverter o subgênero.
Grávida de todos os meses, Natalie recebe a difícil missão de vender uma antiga mansão há algum tempo vazia, sobretudo, por conta de seu histórico sombrio e pesado. Para a sua frustração, o Open House programado não traz nenhum potencial comprador no tempo estipulado. No entanto, quando ela já estava se dando por vencida, um misterioso homem chega, sendo oferecido um rápido tour. O que poderia ser a salvação de Natalie, logo se transforma em medo, pois o cliente demonstra ser assustador. Lidando de maneira firme ela se livra do homem, mas, logo descobre, ao tentar sair com seu carro, que seus problemas estariam longe de terminar.

Como visto nas duas rápidas cenas iniciais, o filme, que se passa nos anos 1990, nos apresenta a espanhola Natalie, que não se dá muito bem com a sua família, e que se mudou para os Estados Unidos da América para viver com seu namorado, que infelizmente morre em um acidente de carro. No início de fato da obra, também temos a informação de que ela está grávida, ao ponto de ter o bebê a qualquer momento, e também, de que é uma corretora de imóveis.
Todos esses elementos criam o contexto em que ela está inserida, de vulnerabilidade física, social, emocional e financeira, o que ajuda a justificar algumas ações que ela toma.
É perceptível que a produção é de baixo orçamento, no entanto, também é de saltar aos olhos as boas escolhas feitas por toda a equipe, seja nas atuações da dupla principal, as referências visuais e narrativas, no aspecto clássico e elegante, no trabalho de cinematografía, assim como também no roteiro simples e enxuto, porém bem executado.
Todavia para justificar a minha nota, é necessário colocar na mesa os pontos negativos, que sendo sutis ou não, em vários momentos me tiraram um pouco do filme, em outros me fizeram duvidar um pouco da qualidade e seriedade da obra.

Apesar de um dos destaques ser a mulher grávida (para além da carga emocional, mas também das dificuldades físicas em um filme de terror), não demora muito para nos perguntarmos: Seria isso possível na condição em que ela está? Agora ela não deveria estar demonstrando a dor ou batalhando contra ela? Ao menos são instantes rápidos, em que logo, ou nos acostumamos ou superamos.
Além disso, em alguns momentos é difícil entender algumas atitudes da personagem, assim como também algumas decisões narrativas, que parecem desconexas ou improváveis, não condizente muito com o filme que estamos assistindo.
Push: No Limite do Medo é um suspense intenso, com grande carga emocional, que trabalha seus elementos com elegância, proporcionando um bom entretenimento, principalmente para os entusiastas de filmes de terror físico leve.
Em minha opinião, é um bom entretenimento, principalmente se bem aconchegado em casa, em uma fria noite chuvosa. Nota 3 de 5.




