Quarto do Pânico

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Quando a fortaleza vira armadilha: o suspense urbano com um tempero brasileiro

A adaptação brasileira de Quarto do Pânico, dirigida por Gabriela Amaral Almeida do excelente O Animal Cordial, é uma das estreias nacionais mais comentadas deste início de 2026. O filme, que teve uma pré-estreia elogiada no Festival do Rio em 2025, chega oficialmente ao Telecine/Globoplay no dia 13 de fevereiro de 2026.

Na trama, uma mãe e filha se refugiam no quarto secreto de uma casa de luxo após invasores entrarem no local. Diferente do original, a protagonista busca uma casa que seja uma fortaleza em São Paulo, trazendo uma carga social à história. A versão brasileira destaca o medo da violência urbana prometendo uma abordagem com identidade própria, focando no jogo psicológico entre os personagens. Ao contrário do filme original de 2002, a versão brasileira busca um olhar diferente, focado no empoderamento feminino e no questionamento das noções de segurança em casas de luxo.

O filme adapta a premissa de invasão domiciliar para uma realidade brasileira, focando em segurança e disparidade social, com um tom de suspense psicológico.

Com destaque para a capacidade da diretora de transformar um roteiro hollywoodiano em algo com identidade brasileira, o filme não é apenas um remake quadro a quadro. A direção de Gabriela Amaral Almeida trouxe um tom de suspense psicológico e social, explorando medos urbanos brasileiros em vez de focar apenas em tecnologia ou aparatos de segurança. Gabriela Amaral Almeida é mestre em horror/suspense e traz uma assinatura autoral clara com um roteiro equilibrado. O roteiro de Fabio Mendes, foca em tensão e sobrevivência.

Isis Valverde (no papel que foi de Jodie Foster) e a jovem Marianna Santos são os pontos altos. A química entre mãe e filha é o coração emocional que sustenta a tensão nos momentos mais lentos. Isis se destaca por sua entrega física e emocional, transmitindo o desespero de proteger sua filha. Marianna Santos interpreta a filha pré-adolescente servindo como o motor emocional da trama. O trio de invasores é composto por Marco Pigossi, André Ramiro e Caco Ciocler, os vilões ganham motivações mais complexas e menos caricatas do que em remakes genéricos. A protagonista se vê confinada em um ambiente seguro com sua filha, enfrentando invasores em um jogo de gato e rato.

O filme funciona melhor nas ideias e na construção de clima do que na execução de algumas cenas de ação, preferindo o detalhe e a tensão íntima ao espetáculo grandioso, entregando um “thriller tropical” diferente do original de David Fincher, a versão brasileira se afasta do tecnicismo frio e foca em um suspense psicológico mais visceral. A diretora utiliza as tensões urbanas do Brasil para dar uma nova camada ao roteiro de Fábio Mendes, trocando o estilo blockbuster por uma atmosfera de confinamento íntimo e sufocante.

O uso do som e da fotografia claustrofóbica mantém o espectador preso, embora alguns possam achar o ritmo oscilante no meio do filme.

O filme explora o fato de que o que os bandidos procuram está dentro do quarto onde as protagonistas se escondem, criando um jogo onde a segurança é, na verdade, a maior armadilha. Consegue adaptar os ganchos do original para a realidade brasileira sem parecer uma cópia barata. O longa é um exercício de gênero sólido que prova que o Brasil tem técnica de ponta para suspenses. O filme utiliza a invasão domiciliar para debater a vulnerabilidade feminina e a maternidade em situações extremas, criando um “Embate do Masculino vs. Feminino”.

Concluindo, a versão brasileira faz uma releitura de qualidade, trazendo os personagens para um set luxuoso que se torna uma armadilha. Vale assistir e comparar com o original. Veja os dois!

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