Um Dia Perfeito

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21.07.2016

O tom de ironia no título de "Um Dia Perfeito" não é mera coincidência

O tom de ironia no título de Um Dia Perfeito não é mera coincidência. Está longe de ser um dia perfeito. Salvo o trabalho um tanto fora do comum – aqui temos profissionais no ramo da ajuda humanitária em “algum lugar dos Balcãs” em 1995 – basicamente é um daqueles dias onde é preciso engolir muitos sapos e tentar lidar com uma burocracia sem fim. Ou seja, uma jornada de trabalho comum.

Benicio Del Toro é Mambrú, líder de uma equipe de humanitários convocados para retirar um corpo de um poço, para que as pessoas possam ter acesso novamente a água potável. Tim Robbins faz o papel de B, seu colega, e os dois têm uma dinâmica ótima, a verdadeira alma do filme. A ex de Mambrú, Katya, interpretada por Olga Kurylenko, e a novata no trabalho Sophie, interpretada pela francesa Mélanie Thierry, aparecem para dar uma chacoalhada nos acontecimentos, e nos vemos diante de uma curiosa road trip.

A grande questão é que fica uma batalha de interesses entre os poderosos, dificultando e impedindo algo simples como a retirada de um corpo de um poço. É difícil se identificar com um trabalho tão distante de nossa realidade, mas é fácil se identificar com as sensações dos personagens frente aos problemas enfrentados. O filme é bem divertido, com muitos momentos em que você se pega perguntando “Mas que diabo? É sério isso?”, embora com alguns elementos dispensáveis, como o garotinho que aparece do nada e depois não serve para coisa alguma rs

A lei de Murphy nada mais é do que uma questão de probabilidade de erros/acertos. Basicamente, o que tem que acontecer, acontecerá. Escolhemos ver o lado negativo com maior frequência, mas neste filme, assim como na vida, embora haja dias em que a lei de Murphy desafia nossa resiliência, ela também pode ser benéfica.

Tudo isso para dizer que temos diante de nós um filme original, que poderia ter sido feito como um drama, mas que mesclou sua perspectiva ao humor, o que nos proporcionou um filme diferente, onde por vezes a raiva e a frustração tomam conta dos personagens – e da gente – e, outras vezes, o extremo absurdo e hilaridade arrancam gargalhadas. Dê uma chance a essa “realidade” tão distante embalada por uma trilha gostosa.

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AUTOR

Marcela Sachini

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