Quem tem com que me Pague, Não me Deve Nada

(2026) ‧ 1h40

14.05.2026

Entre o caos, a música e o excesso

Há filmes que apostam no exagero como identidade, transformando o excesso em linguagem. O novo lançamento da Rosza Filmes parece seguir exatamente esse caminho, misturando comédia, musical e uma narrativa sobre crises pessoais e reinvenção artística.

Henrique é um cineasta frustrado, endividado e à beira da falência. Quando um amigo o convida para dirigir a turnê do cantor baiano de pagotrap Cristian Mugunzá, sua primeira reação é rejeitar completamente a ideia. Mas sem muitas alternativas diante da própria situação financeira e profissional, ele aceita, e acaba sendo arrastado para um universo completamente diferente do seu, onde as cores, a música e as performances parecem ocupar cada espaço possível, e contagiá-lo completamente.

Dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio, o longa aposta em um humor mais clássico, quase teatral em alguns momentos, mas nem sempre consegue fazer a narrativa acompanhar esse tom. Existe energia em cena, mas ela frequentemente parece dispersa, a trama está constantemente rodeada de personas e encenações sem encontrar equilíbrio entre elas. O resultado é uma experiência cansativa em determinados momentos, especialmente pela dificuldade de criar conexão emocional real com o que acontece.

A parte musical também sofre um pouco nesse processo. Em vez de surgir organicamente da trama, os números parecem anexados à narrativa, interrompendo mais do que complementando o desenvolvimento da história. Falta naturalidade, e talvez confiança para deixar que música e roteiro conversem entre si.

Quem realmente sustenta o filme é Rodrigo Pandolfo. Sua atuação entrega presença, intensidade e humanidade suficientes para fazer Henrique existir para além do caos ao redor. Mesmo quando a narrativa perde força, ele permanece convincente.

No fim, o longa encontra momentos interessantes justamente no contraste entre dois mundos tão diferentes, mas acaba se apoiando mais na estética e no excesso do que na construção da própria narrativa. Ainda assim, é um filme que tenta experimentar, mesmo que nem todas as escolhas funcionem no mesmo tom.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Thais Wansaucheki

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