Raya e o Último Dragão

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06.03.2021

Raya e o Último Dragão chega com toda a promessa de diversidade e modernidade a que tem direito

Ah os lançamentos Disney! Como não se empolgar quando sabemos que mais uma pérola das suas superproduções cinematográficas está pronta para o público? Raya e o Último Dragão tem todos os elementos dos clássicos do estúdio, alguns defeitinhos, e muito mais!

Continuando o movimento de diferenciação que vem desde Malévola, passando por Valente, Frozen e Moana, desta vez vemos uma história centrada em um universo do sudeste asiático e apresenta um mix das culturas da Indonésia, Tailândia, Vietnã, Filipinas e outras. A nova princesa Disney é uma guerreira extremamente habilidosa, sensível e muito determinada, o que ao mesmo tempo a coloca próxima de seus últimos pares como também lhe confere uma personalidade única, pois Moana por exemplo, não luta, mas é tão determinada quanto. E se formos considerar o mundo fora dos live actions mas dentro de “uma galáxia muito distante”, a escolha de Kelly Marie Tran, a Rose de Star Wars, para dar voz à versão (original) mais adulta da menina, foi perfeita!

Essas características tão marcantes da personagem principal deram o tom do filme inteiro, que é totalmente Girl Power. As mulheres estão por toda parte. Toda parte mesmo! Não só na protagonista, mas como chefes de seus países e oficiais da guarda, como heroínas e vilãs, e o mais interessante, no Dragão. Sim, ele é ela. O que nos leva a uns dos pontos controversos do longa. Ao mesmo tempo em que Sisu não tem nada em sua personalidade que lembre “uma anciã, ponderada e cheia de sabedoria”, mas sim uma dragão jovem, enérgica, pronta para qualquer aventura, sua aparência enquanto dragão é muito algodão doce, parece que falta um pouco mais do lado animal nela. Mesmo assim, a interpretação (versão original) de Awkwafina (Oito Mulheres e Um Segredo) caiu como uma luva.

Agora, o que dizer dos outros membros da comitiva que ajudam Raya e Sisu em sua aventura? São absolutamente espirituosos, altamente improváveis e vão disputar a preferência do público com certeza. Minha aposta é que o quarteto de macaquinhos e a bebê Nori levam a melhor. O resto da magia fica por conta de um poderoso cenário, que mostra as riqueza e deslumbres das culturas retratadas, de um plot twist inesperado quando a trama é ligeiramente previsível e claro, da mensagem sobre confiança e harmonia mesmo em meio às diferenças.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Thais Wansaucheki

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