O Homem nas Trevas │ Resenhas: Quadro por Quadro

O Homem nas Trevas

09.09.2016 │ 09:34

09.09.2016 │ 09:34

Filmes de terror são uma caixinha de surpresa (quer dizer, preferencialmente, na verdade, pois os previsíveis a gente dispensa). Às vezes você vai ao cinema, vê um trailer, e pensa, putz, esse filme vai ser sensacional, vou passar muito medo, vou convidar todo mundo pra vir comigo. Mas aí você vai, cheio de expectativas, e o filme é uma bomba. Pra começar, as melhores cenas estavam na porcaria do trailer. E pra fechar com chave de ouro, o crush que você chamou pra ir no cinema com você consegue desvendar o final nos 15 minutos do primeiro tempo. E a droga do filme não valeu nem a pipoca. Mas tem uns que são como o lançamento de terror da semana, O Homem nas Trevas, que te deixam na beira da cadeira o tempo todo, que te dão taquicardia, que te fazem querer sair correndo do cinema sem nem olhar pra trás (ainda bem que o bofe tá lá pra segurar a sua mão!).
01
Eu confesso que fui ao cinema sem expectativa alguma, pois um filme que acompanha três moleques (pra ser mais precisa, dois moleques e uma moleca), Rocky (Jane Levy), Money (Daniel Zovatto) e Alex (Dylan Minnette), em seus esqueminhas pra roubar casas de gente da grana em Detroit (que já virou meio que clichê no mundo do terror – lembra que ela foi pano de fundo também em Corrente do Mal? Leia a resenha aqui) e se dão mal não me soou muito convincente. Aí o filme começa, e vemos como o trio, apesar de ser muito amador, acaba se dando bem em um roubo. Aí o segundo parece mais fácil que o primeiro: entrar na casa de um homem cego (Stephen Lang, que na verdade faz o papel de um ex-fuzileiro cego, o que faz a coisa mudar de figura rapidinho) e roubar a grana que ele recebeu de um acordo judicial com a pessoa que matou sua filha em um acidente. Mas o lance vira rapidinho e o grupo de jovens descobre que o pobre velhinho cego está bem preparado para se defender, e eles são as prezas indefesas em seu território.
02
O Homem nas Trevas é o resultado de uma segunda parceria entre o diretor uruguaio Fede Alvarez e o diretor/produtor Sam Raimi (eles já haviam trabalhado em 2013, na refilmagem de A Morte do Demônio – que ficou bem bacaninha, diga-se de passagem). Segundo Alvarez, o filme foi feito como um jogo de xadrez, com cada um dos jogadores dando lances mortais em suas jogadas. E você sente a coisa ter essa dinâmica mesmo, e não sossega até os créditos finais subirem. O filme é muito tenso, e nada melhor que o título original pra te dar uma ideia disso: Don’t Breathe – não respire, pois a verdade é que em certas partes do filme você tem que lembrar que precisa respirar 😮
03
A história dos jovens assaltantes faz com que tenhamos certa empatia por eles (ou alguns deles, pelo menos). E Detroit é a cidade perfeita para acomodar essas histórias de famílias abusivas, drogas e violência. Logo no começo do filme, o trio dirige pela cidade e vemos casas abandonadas, mato alto nos quintais e uma casa que parece muito familiar (se você observar um pôster com personagens e casa ao fundo em O Homem nas Trevas e em A Corrente do Mal, vai notar que a semelhança é pouco confortável). Mas depois que entramos na casa com os jovens, a coisa muda de figura: lá dentro, o clima abandona qualquer vestígio de drama e vai fundo no terror, com ambientes escuros, janelas e portas com grades e cadeados, e uma casa que mais parece um labirinto, com a câmera adentrando cada cômodo como se estivéssemos jogando um game de terror em primeira pessoa.
04
Como de praxe, não dá pra não falar: o filme tá recheado de clichês, tem furos no roteiro, blá blá blá. Qual filme de terror não tem? (tá, tá, sei que O Iluminado não tem, e O Exorcista também não, mas não estamos na década de 1980, se conforme). Vai assistir, o filme tá ótimo. Aproveita pra caprichar na pipoca e no chocolate, você vai precisar da energia extra 😮
Nota:

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