Resenha │ Passageiros

05.01.2017 │ 11:25

Passageiros é a história de um cara solitário no espaço, movido por um dilema ético que resulta em uma história de amor conturbada entre Jennifer Lawrence e Chris Pratt, os dois novos queridinhos de Hollywood. O casal é extremamente talentoso e o filme, dirigido por Morten Tyldum, do ótimo O Jogo da Imitação, parte de uma ideia ótima, mas empaca em determinados momentos.
Estamos na Avalon, uma nave corporativa que se dirige para uma colônia interplanetária no planeta Homestead II (num futuro no qual planetas distantes vão se tornar acessíveis para aqueles cansados da vida na Terra). Ela transporta 255 tripulantes e 5000 passageiros “voluntários”, todos em um estado de animação suspensa, programados para permanecer assim durante os 120 anos de viagem. Porém dois passageiros acordam antes, Jim Preston (Pratt), um engenheiro mecânico, é acordado quando a nave se choca com alguns meteoros, e Aurora Lane (Lawrence), uma jornalista cheia de vitalidade, é acordada por Jim para que ele tenha alguém que lhe faça companhia.

Os dois têm toda a comida, álcool e entretenimento que podem querer. Há uma quadra de basquete, uma pista de dança e um bar comandado pelo androide Arthur (Michael Sheen, de Animais Noturnos). O grande dilema de Passageiros é que, a menos que Jim e Aurora consigam viver mais 90 anos, eles não chegarão ao seu destino final e até lá não terão ninguém além deles mesmos para lhes fazer companhia.
As comparações com Gravidade são inevitáveis. Ambos os filmes te deixam grudado na poltrona do cinema. Mas em Passageiros, é bem mais superficial. Uma vez que o casal se conhece e se apaixona, os dois atores passam o resto do filme lidando com os sentimentos do casal, revelando assim uma fábula meio sem sabor e bastante previsível.

Uma pena! Porque em toda a sua abertura, até uns 45 minutos, mais ou menos, o filme é uma bela de uma ficção científica, mesmo reciclando alguns temas de Perdido em Marte e Lunar. A Avalon é como um navio de cruzeiro abandonado e a situação de Jim, assim como a dos protagonistas de ambos os filmes, é um grande pesadelo. É como se ele tivesse sido condenado a passar a vida sozinho e morrer em 50 anos, de tédio. Mas a pergunta que não quer calar é: será que ele despertar Aurora e condená-la ao seu mesmo destino é uma decisão acertada?
Ele sabe que fazê-lo é uma decisão indefensável (como se ele estivesse brincando de Deus), mas também sabe que, se não o fizer, enlouquecerá. Há apenas um lugar que Passageiros pode ir e quando ele chega lá, o roteiro de Jon Spaihts perde um pouco do gás e nos dá vontade de que o filme tivesse enxugado uma boa meia hora de sua duração.

Passageiros peca na pouca quantidade de surpresas, mas isso não estraga totalmente a experiência. É como se fosse uma história de amor em uma ilha deserta, só que aqui, numa espécie de resort de luxo no espaço profundo.
Nota:

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Passageiros

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