Sobre Viagens e Amores

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04.05.2017

Se precisasse resumir "Sobre Viagens e Amores" numa única palavra, diria: "relevant"

Existe um conceito quase unânime: viajar é um dos maiores prazeres da vida. Novas experiências, descobertas e mudanças fazem parte de muitas aventuras daqueles que decidem cair na estrada ou levantar voo. Alguns, porém, são agraciados com momentos inesquecíveis, do tipo que jamais abandonam o coração. Claro que não existe uma estação específica para tais vivências efêmeras, embora estejamos acostumados a ler e ouvir bastante aquele início de frase clichê: “Foi naquele verão…”. Agora ficou fácil deduzir a época narrada em Sobre Viagens e Amores, não é? Cominciamo, então.

Em Roma, na Itália, o jovem confuso Marco (Brando Pacitto) está cercado de dúvidas a respeito do futuro. Normal, já que tem apenas dezoito anos, exceto pelos frequentes questionamentos acerca da morte e insatisfação constante no meio em que vive: amigos vazios e pai depressivo. Só que, felizmente, como já dizia o ditado popular, há males que vêm para o bem: ele sofre acidente de bicicleta e, logo depois, recebe um seguro. É a hora de não deixar a oportunidade escapar e encontrar um amigo na Califórnia, nos EUA, aproveitando o tempo distante para refletir melhor e se conhecer ainda mais.

O que Marco não esperava era ter de viajar para a terra do Tio Sam ao lado de Maria (Matilda Lutz), uma colega de escola com quem pouco conversava. Em San Francisco, os italianos são recebidos pelo casal homossexual Matt (Taylor Frey) e Paul (Joseph Haro), o que surpreende a moça, até aí desacostumada com formas de relacionamento diferentes da tradicional. Um tanto homofóbica no começo, ela aos poucos entende a novidade, enquanto vive em pé de guerra com o companheiro de viagem. Uma estadia que devia ter durado somente alguns dias acaba sendo prolongada, aproximando os quatro numa jornada maravilhosa repleta de surpresas e histórias inusitadas.

A juventude é uma fase complicada. É quando começamos a compreender o mundo com maior profundidade. Tudo é novo demais, duvidoso além da conta. E o cineasta Gabriele Muccino consegue nos levar a pensar nas distintas perspectivas que existem, como o processo de maturidade é contínuo e mutável a cada conhecimento adquirido, e o quão simples experiências podem mudar conceitos e até quem somos.

Prepare-se também para dar um pulo em Cuba e Nova York, dois importantes palcos do longa, mesmo que nos minutos finais. Tudo em um filme belo, delicado e ousado que elucida a mente de quem o assiste contra a ignorância diante de sentimentos de amor e complacência. Se precisasse resumi-lo numa única palavra, diria: “relevant”, em inglês, para não atrapalhar Maria com sua prática do idioma americano.

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AUTOR

Diego Patrick

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