Sun

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"Sun": Juventude, tradições e rebeldia nas redes sociais

Os dois anos que separam o lançamento de Sun de sua participação no My Meta Stories deste ano parecem que só deixaram o longa ainda melhor. As escolhas da diretora e roteirista Kurdwin Ayub para o elenco, desenvolvimento dos personagens, do estilo de filmagem, edição, e da trama, foram muito assertivas, e o resultado é ótimo de assistir!

O trio de amigas Yesmin (Melina Benli), Nati (Maya Wopienka) e Bella (Law Wallner) é inseparável. Elas passam bastante tempo juntas, se divertindo gravando e editando vídeos com o celular. Em um dia que tinha tudo para ser comum, elas percebem que um de seus vídeos, um em que as três estão usando hijab e interpretando uma música, teve grande destaque na comunidade mulçumana de etnia curda da qual fazem parte. A partir deste momento, elas passam a ser convidadas para eventos e são reconhecidas em público, o que impacta cada uma de formas bem diferentes e acaba abalando sua amizade.

Esta é uma história que se desenrola em Viena e tem como cenário as descobertas da juventude, a rebeldia, as verdadeiras amizades, os princípios que sempre fizeram parte da nossa vida e aqueles que vamos adquirindo conforme as experiências que vivemos.

No centro da trama está Yesmin, a única das três jovens que é de fato curda. Enquanto as amigas parecem mais distantes dos costumes tradicionais que acompanham sua origem, e vivem tranquilas com essa decisão, Yesmin é mostrada em busca por equilíbrio entre seus desejos e deveres, o cuidado e respeito com a família e suas tradições, e suas próprias escolhas de vida. Se em um momento ela defende sua posição como mulher que pode fazer o que quiser enquanto usa o hijab, dançar, sair com as amigas, se divertir, em outros ela parece se prender mais aos costumes tradicionais.

Este enredo simples consegue prender toda atenção do público ao colocá-lo como duplo espectador: do filme em si e dos conteúdos postados em redes sociais de vários personagens, que são mostrados da mesma forma que veríamos se estivéssemos com o celular em mãos. Entre uma cena e outra, é praticamente possível rolar feed do filme, sendo cúmplices, por vezes julgando ou admirando as postagens. Essa técnica, apesar de não ser original, combinou perfeitamente com toda a composição de Sun. Além disso, é sempre bom ser lembrado de que a ideia que temos de “mulçumanos”, “curdos”, “tradições religiosas” e qualquer outro rótulo que envolva esse grupo, provavelmente não é a mais fiel à realidade.

Deixe as ideias pré concebidas de lado, abra a mente para a história e os desafios que ela apresenta, e mergulhe neste filme vencedor do Prêmio de Melhor Primeiro Longa-Metragem no Festival de Berlim.