Teobaldo Morto, Romeu Exilado

28.04.2016 │ 12:06

28.04.2016 │ 12:06

Eu assisti a Teobaldo Morto, Romeu Exilado e ainda estou tentando entender a coisa toda. Depois fui procurar um pouco mais sobre o filme, assisti a entrevistas com o diretor, Rodrigo de Oliveira, e até que o que ele falou faz sentido – agora que ele falou, claro. Porque antes eu estava a ver navios com uma história contemplativa e muito enrolada sobre pessoas e seus fantasmas do passado, do presente e do futuro.
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A história (e olha, bora ler a sinopse do filme e ver o trailer, porque se você for assistir sem uma preparação, periga não entender nada) segue João, um músico que nos primeiros momentos do filme está se separando da esposa grávida e indo viver uma vida de isolamento no campo. Lá ele fica fazendo música, capinando e pensando na vida. Um belo dia, um amigo, Max, há muito desaparecido vem fazer uma visita, e aí eles acabam resolvendo umas pendengas que poderão mudar e muito o futuro de João.
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Olha, a ideia toda até que é bem bacana, depois que você fica pensando sobre o filme umas 200 horas. A história tem muitas camadas e personagens que se entrelaçam de maneiras incríveis. E você nunca sabe se eles são reais, imaginários, fantasmas ou o que até o final do filme (e ainda assim o filme dá margem pra você tirar a conclusão que achar mais interessante). Mas precisava enrolar tanto? São 2 horas de filme. Duas horas de muitas imagens estáticas, como fotografias. A câmera é fixa na maior parte do filme, e os personagens desfilam em sua frente. Às vezes a ação se dá fora do quadro, ou uma conversa entre dois personagens vai ser parcial, mostrando as reações e falas apenas de um deles. Tenho que confessar que isso gera um certo incômodo, uma angústia até, e em uma das cenas finais quase me matou de antecipação (porra, vira essa câmera pra eu vê esse lance, cara!). Mas no geral, ficou chato mesmo. Precisa ficar 3 minutos com a câmera grudada na cara do cidadão fumando? Ou capinando. Deu sono e vontade de pular trechos inteiros.
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Mas uma coisa que gostei muito, falando de novo dessa câmera que me incomodou por demais durante o filme, foi a distância em certos momentos. Quando João e Max estão brigando, a câmera fica bem distante. Eles estão lá quase que em um segundo plano, ou terceiro, lá no fundo. Minúsculos. Como se a gente não pudesse participar do momento, só espiar mesmo. No primeiro plano fica o som de uma mosca, que voa tranquilamente, alheia ao que está acontecendo ali perto. Os caras, no final, parecem dois moleques bobos resolvendo uma questão no muque.
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Outra coisa que curti bastante foi o som no filme (se bem que em alguns momentos me lembrou o magistral O Som ao Redor, e aí achei meio similar demais). Os atores deviam estar com microfones nos pés, não é possível, porque as passadas eram tão ruidosas que chegava a incomodar. No final tem um moleque correndo, e parece que ele tá desmontando o quintal. E em certos momentos o som foi utilizado para criar expectativa, mas na maioria das vezes sem motivo. Curto muito isso, que me faz lembrar dos filmes de David Lynch, que fazem teu coração sair pela boca por causa do som, mas sem acontecer nada. Aí você sofre, acha que algo vai pular na tela, pois a trilha te mostra que uma ameaça está na iminência de acontecer, mas aí nada acontece. Ainda bem que tenho coração forte 🙂
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Acho que é isso. Que filme. A dica é a seguinte: vai assistir e forma tua própria opinião. Mas leva um café, uma Coca 1 l, alguma coisa que te segure com os olhos e ouvidos bem abertos. O filme é repleto de informações visuais e auditivas, mas você tem que estar bem disposto pra poder perceber tudo. E mais um pouco.
Nota:

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