Com direção de João Amorim, Thiago & Ísis e os Biomas do Brasil é um desses filmes que sabe para quem está falando, e não vê necessidade de dar um passo além da sua proposta principal. Pensado especialmente para o público infantil, o documentário mistura estilos e linguagens em um conteúdo que valoriza o aprendizado por meio da experiência e da curiosidade.

Acompanhamos os irmãos Thiago e Ísis, dois apaixonados por animais, que viajam com o pai, João, para explorar três dos principais biomas brasileiros: o Cerrado, o Pantanal e a Mata Atlântica. Em cada parada, o trio conhece espécies da fauna local, escuta especialistas e mergulha, junto com o público, em uma jornada de descoberta. Tudo isso conduzido por músicas originais e por personagens conhecidos das crianças, como fantoches e criaturas animadas que surgem no meio da história.
O filme faz parte da Mostra Ecofalante de Cinema e se encaixa perfeitamente nos propósitos da curadoria: promover o acesso a conteúdos que aliam cultura, educação e sustentabilidade, sem abrir mão da linguagem acessível e do compromisso com o público.

Mas o que talvez mais chame atenção é a escolha por um ritmo mais contemplativo. Ao contrário de muitas produções voltadas à primeira infância, que apostam em estímulos visuais constantes, explosões de cor e velocidade, Thiago & Ísis escolhe um caminho mais tradicional. Animação, live-action e teatro de bonecos são uma escolha que respeita o ritmo de alguém que apenas começou a aprender. É possível que o longa não funcione com outras faixas etárias, mas para seu público-alvo, é uma proposta valiosa: não subestima, não acelera, não simplifica demais.
As imagens da vida selvagem e das paisagens brasileiras completam a experiência, oferecendo uma coisa que muitas vezes se perde nos algoritmos por trás das telas: o silêncio de uma floresta, o tempo de um rio, o voo de uma ave. E isso, por si só, já vale a pipoca.






