A história de duas garotas que, apesar de opostas, são duas faces da mesma moeda. Da adolescência à vida adulta, o filme explora os encontros e desencontros da vida. Relacionamentos conturbados, crises identitárias, revelando como o tempo, os desejos e as feridas pessoais podem afastar duas pessoas mas não de forma definitiva.

Adaptado do primeiro livro de Thalita Rebouças, o longa ganha vida com a direção de Bruno Barreto, que utiliza de forma artística o contraste entre os cenários nova-iorquinos e curitibanos. Além disso, a homenagem a Jaime Lerner nos créditos, ainda que breve, adiciona um toque afetivo e contextual ao imaginário curitibano que o filme convoca.
Embora o enredo se concentre na relação fraturada entre Penélope e Luiza, os holofotes acabam inevitavelmente sequestrados para Larissa Manoela, que mostra sua melhor forma artística. A atriz demonstra uma maturidade expressiva capaz de sustentar cenas que, no papel, poderiam soar rasas.

O roteiro, apesar de eficiente em alguns arcos, vê dificuldades quando tenta abordar temas mais delicados, especialmente o aborto, sem a profundidade e carga emocional que o livro proporciona. Falta subtexto, coragem e um pouco de introspecção. Elementos essenciais para tratar assunto tão complexo. Ainda assim, Larissa brilha entre esses desafios, inclusive quando o figurino e os diálogos não colaboram. Sua entrega transforma um material irregular em algo capaz de cativar e sustentar a atenção, elevando um filme que, por si só, seria apenas mediano.
O resultado é uma obra com boa premissa e intenções, ótimo cenário porém execução desigual. Mas que encontra na atuação de Larissa Manoela sua carta na manga para cativar e envolver.




