Como começar a falar do fim? Talvez escrever sobre Tuesday: O Último Abraço pode ser um tanto quanto desconfortável, a se pensar que seja por conta do tema central da história, o fim da vida, mas aparentemente não é somente isso.
Com a direção e roteiro de Daina Oniunas-Pusic é um drama de fantasia que conta com um elenco bem enxuto. Lola Petticrew, vive uma adolescente, aliás notório para Hollywood, uma vez que a atriz está próxima dos 30 anos, e a maioria dos estúdios trata mulheres nessa faixa de idade com um quê de senhora aposentada para interpretar a maioria dos papéis. mas aqui a premissa de Leonardo DiCaprio não venceu, Tuesday que dá nome ao filme, vive com uma doença que aparenta já estar na fase dos cuidados paliativos e fica a maior parte do seu tempo sobre os cuidados de Nurse Billie (Leah Harvey) já que sua mãe Zora (Julia Louis-Dreyfus) aparente quer viver em uma realidade paralela, evitando ao máximo o contato com a situação atual da filha. O que quebra essa situação é a chegada de (Death) Arinzé Kene, que no filme assume o papel de uma ave, algo entre um papagaio ou uma arara, sendo essa personagem aquela que dá fim a vida, através de um acolhimento com sua asa, sendo esse o último abraço de qualquer criatura, aliás claramente apresentado no começo do filme, como um ser familiar quando se aproxima de qualquer indivíduo para decretar o seu fim. E a grande questão entre Tuesday e Death é que a enferma consegue de alguma maneira enrolar a ceifadora criando uma espécie de conexão e afeto, que depois de muita conversa é interrompido por sua mãe.

A produção não é necessariamente maçante, mas custa achar seu rumo, aderindo até mesmo a piadas sem sentido, tentando conectar as famosas personagens cômicas de Julia Louis-Dreyfus, é de olhar pra tela e realmente não entender a real necessidade daquilo. O fato é que a representação da interruptora de vidas através de um animal, traz na verdade a humanização dele, como quase tentando conversar com o público de que o melhor é sempre torcer por ela e de que o fim é sempre bonito.
Ainda é possível ser brindado com efeitos especiais pra lá de duvidosos e porque não desnecessários, que fica a grande questão, será que o filme se perdeu, quando na verdade em poucos momentos fez algum sentido, sem aves, sem o suposto apocalipse instaurado no restante do planeta, possivelmente sairia uma boa produção tratando de relações familiares com o fim da vida.

Um início que faz sentir vontade de sair da cadeira, e um final pra conversar de couch motivacional nenhum botar defeito. Talvez alguns diálogos se salvem no meio, já que ambas mãe e filha demonstram uma boa sintonia, mas honestamente é totalmente desnecessário romantizar o fim da vida e ainda querer apresentar algo querendo ser desnecessariamente lúdico.





