Vermiglio: A Noiva da Montanha é uma história que te envolve devagar, mas é cheia de emoção. O longa foi escrito e dirigido por Maura Delpero, que nos transporta a um vilarejo isolado nos Alpes italianos, onde o tempo parece correr em outro ritmo. O passar das estações, dos silêncios, das tradições e dos olhares. A história gira em torno de Lúcia e suas irmãs, meninas e mulheres em diferentes idades, enfrentando as complexas tensões de ser mulher nesse ambiente pacato.

A grande tragédia que o filme nos apresenta é cotidiana: a dor de crescer, de se calar, de carregar pesos que muitas vezes não têm nome, a tragédia da desilusão. Lucia (Maria Roveran), é o centro dessa narrativa ao ser arrebatada pela paixão com a chegada de um homem misterioso ao vilarejo. Sua irmã Ada (Marta Giuffrida), em momentos rouba a cena com sua personagem adolescente. Flavia (Anna Thaler), a irmã caçula é considerada a mais inteligente das três e será enviada para um internato pelo patriarca da família, o professor Graziadei. Juntas, as irmãs conduzem o espectador por entre os ritos de passagem da vida de uma mulher.
Visualmente, o filme é um espetáculo. A diretora faz um uso certeiro das paisagens montanhosas, das casas de pedra e da luz natural ao longo das estações do ano. O vilarejo bucólico reflete o distanciamento de afetos da família, e os sonhos e promessas que talvez nunca se cumpram. É poético e triste na mesma dose.

Com um ritmo bastante calmo, meio contemplativo, Vermiglio é um drama italiano que recompensa quem escolhe permanecer e se envolver. Uma obra cheia de emoções o não ditas por atuações que traduzem as vezes sem precisar falar. Não é à toa que recebeu o prêmio do juri no Festival de Veneza e, com certeza, merece cada olhar conquistado.






