Virando a Página

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25.06.2015

Se tem uma fórmula que dá muito certo no cinema é dar uma segunda chance ao protagonista – talvez porque sejamos humanos, cometamos erros e a vida imite a arte/a arte imite a vida. Não sei você, mas eu adoro uma história do tipo e me sinto inspirada depois de assistir a alguém que passa por perrengues e consegue dar a volta por cima.
Virando a página tem essa premissa. Hugh Grant interpreta Keith Michaels, um roteirista em Los Angeles que ganhou o Oscar no início da carreira pelo roteiro de Paradise Misplaced, um sucesso estrondoso que coloca também uma grande sombra em suas perspectivas futuras. Desempregado e à beira da falência, porque Hollywood só quer saber de protagonistas femininas fortes (torcendo aqui que isso se concretize), ele aceita o emprego arrumado por sua agente: professor de roteiro. A pegadinha: em uma universidade em Binghamton, NY, uma cidade que, segundo ele, “é o fim da civilização”.
De início, Keith Michaels não inspira muita simpatia. Além de piadas machistas, a primeira coisa que faz ao chegar à cidade é dormir com uma aluna, o que mais tarde descobre ser proibido. Em sua primeira aula, ele explica rapidamente a seus alunos como, mantendo uma rotina de tantas páginas escritas por dia, ao término de um semestre terão seu roteiro pronto.
Entra Marisa Tomei como Holly Carpenter, sempre carismática, mãe de duas meninas, trabalhando em dois empregos e aluna da universidade, interessada em frequentar as aulas de roteiro de Keith. Ela é a personagem que o impulsiona a melhorar, sempre com discursos positivos, enquanto ele, um professor de roteiro, acredita que não é possível ensinar talento (tá na profissão certa, meu filho! #sqn).
Logo, porém, pelo estímulo de Holly mais um empurrão de Mary Weldon (Allison Janney) que discorda de tal “método” de ensino e basicamente dá um fodback para Keith: ou faz o trabalho direito ou tchau tchau. E Keith começa a tomar gosto por ensinar, a se importar com seus alunos e seus trabalhos. Há também a ótima participação de J.K.Simmons, como o diretor da Universidade – confesso que achava que a qualquer hora ele iria gritar com Hugh à la Whiplash, mas aqui ele é pacato e normal.
O filme é despretensioso, com uma trilha leve e gostosa, uma ótima pedida para relaxar depois de um dia de trabalho ou em um domingo à tarde. Prepare a pipoca e manda brasa!

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Marcela Sachini

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