Vizinhos Bárbaros cutuca uma problemática enorme dentro de vários países europeus: o racismo recreativo contra povos árabes – especialmente na França.

A história se passa em uma pequena cidade da região da Bretanha que chama a atenção da mídia local ao anunciar que espera receber imigrantes ucranianos, deixando claro que simpatiza com eles. Só que tudo muda quando vem a notícia de que, na verdade, quem chegará são refugiados sírios. A partir daí, as expectativas da cidade mudam completamente, e junto com elas, a forma de pensar (e agir) das pessoas dessa pequena cidade.
O filme é cheio de figuras caricatas e personagens excentricos, também conta com Julie Delpy ocupando dois papéis importantes: diretora e atriz principal. Que em um momento especifico entrega algumas falas soam quase como desabafos pessoais, principalmente quando entra numa espécie de “culpa branca” ou remorso racial, que acaba soando um pouco constrangedora para quem assiste fora do contexto europeu, especialmente para nós telespectadores latinos.

Esse pequeno momento não tira o mérito da obra, é uma produção que nos leva para perto do senso comum francês. A história provoca até mesmo nós brasileiros, que temos experienciado e recebido cada vez mais refugiados de países próximos e todas as tensões que a imigração carrega junto de sí.
No geral, a história passeia por temas como ignorância, ódio, polarização e o que realmente significa fazer a diferença. Com uma boa dose de esperança, Vizinhos Bárbaros deixa claro que nada é mais bárbaro do que o ódio alimentado por crenças políticas. No fim, o filme fala sobre comunidade e sobre o poder transformador que existe em acolher as diferenças culturais.




