Todo Mundo em Pânico 4

(2006) ‧ 1h23

02.06.2006

A fórmula no automático, mas ainda funcional

Todo Mundo em Pânico 4 chega como mais um capítulo de uma franquia que já encontrou sua identidade — e também seus limites. Mantendo Cindy no centro da narrativa, agora como enfermeira, o filme mistura invasão alienígena com casas assombradas, costurando referências a sucessos como Guerra dos Mundos, Jogos Mortais e O Grito em uma estrutura que pouco se preocupa com coerência.

Assim como seus antecessores, o longa funciona em formato de esquetes, onde a trama é apenas um pretexto para a avalanche de piadas. A direção de David Zucker reforça essa abordagem, apostando em um ritmo acelerado que dispara gags sem dar muito tempo para reflexão. Algumas funcionam de imediato; outras simplesmente passam batidas.

O humor segue a lógica do “quanto mais, melhor”, acumulando referências à cultura pop e exageros visuais. Há momentos em que essa estratégia acerta em cheio, especialmente quando o filme brinca com elementos reconhecíveis do cinema de sua época. Em outros, a insistência na repetição — especialmente de piadas físicas — acaba desgastando rapidamente o efeito cômico.

Anna Faris continua sendo o grande trunfo da franquia. Sua entrega à personagem e seu timing cômico ajudam a sustentar o filme mesmo quando o material não colabora tanto. Ao seu lado, Craig Bierko se diverte ao parodiar figuras e performances conhecidas, contribuindo para alguns dos momentos mais inspirados.

Entre altos e baixos, o filme também encontra espaço para satirizar eventos e figuras da cultura pop fora do cinema, ampliando seu escopo de referências. Esse tipo de humor pode ser mais irregular, funcionando melhor para quem reconhece imediatamente os alvos das piadas.

Comparado ao filme anterior, Todo Mundo em Pânico 4 parece mais consciente de sua própria proposta, ainda que não consiga renová-la de fato. A sensação é de uma engrenagem já bem ajustada, mas que gira sem grandes surpresas, confiando no acúmulo de piadas para manter o interesse.

No fim, é uma comédia que entrega exatamente o que promete — nem mais, nem menos. Para quem já está familiarizado com o estilo da série, há diversão garantida em doses moderadas. Mas para quem busca algo mais elaborado, o filme dificilmente vai além de um passatempo leve e descartável.

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AUTOR

Felipe Fornari

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