Cinco da Tarde

(2023) ‧ 2h01

Entre o silêncio e a ausência

Renata Barbosa

Cinco da Tarde, longa nacional dirigido por Eduardo Nunes e ambientado em Niterói, cidade natal do diretor, é um filme que se arrisca a abordar temas como perda, luto, solidão e memória de maneira sensível.

A narrativa acompanha Anabel (Bárbara Luz), uma jovem que enfrenta a recente morte da avó e busca formas de elaborar a dor da ausência. É nesse contexto que surge a relação entre Anabel e sua vizinha Meiko (Sharon Cho). Embora inicialmente não exista proximidade entre elas, a convivência gradual permite que vá se estabelecendo um vínculo de acolhimento e amizade. O encontro entre as duas, jovens tão diferentes e com diferentes experiências de perda deixa o recado de que a presença do outro se expressa muito mais pela disponibilidade de compartilhar o silêncio e de acolhimento da vulnerabilidade do que por palavras.

Ao abordar o luto, Cinco da Tarde apresenta a dor como um processo contínuo, permeado por lembranças, afetos e pela sensação de que aqueles que amamos permanecem vivos de outras formas. O amadurecimento de Anabel não ocorre por meio de grandes acontecimentos, mas através de um percurso íntimo de elaboração da perda e de descoberta da importância dos laços afetivos.

O filme é construído a partir de silêncios, gestos discretos e pequenos encontros. A direção de Eduardo Nunes aposta em um ritmo desacelerado, marcado por longos planos e poucos diálogos. O silêncio ocupa um lugar central, funcionando como linguagem que busca expressar aquilo que as personagens não conseguem verbalizar. Além disso, é todo em preto e branco, fotografia que reforça a atmosfera melancólica que atravessa o filme. Os enquadramentos e a iluminação contribuem para a construção do processo de luto vivido por Anabel, universo de fronteira entre presença e ausência.

Ainda que a proposta contemplativa dialogue com os temas abordados, o filme acaba exagerando na lentidão. Em diversos momentos, o ritmo excessivamente lento compromete o envolvimento do espectador, fazendo com que a narrativa pareça estagnada. O que inicialmente se apresenta como um convite à contemplação acaba se tornando um exercício de paciência, e a obra, por vezes, se perde em sua própria demora, mais cansativa do que comovente.

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