Negação

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09.03.2017

"Negação" relata a luta da escritora Deborah E. Lipstadt contra David Irving que nega a existência do Holocausto

Para uma melhor compreensão e comparação pra gente aqui no Brasil sobre o que se trata a temática do filme Negação, dirigido por Mick Jackson, é possível pensar nos Bolsonaros da vida, que intitulam fatos e promovem a alienação de um povo suscetível sobre o que se vive, sobre dados e estatísticas. Mais do que isso, o mundo lá fora nos mostra as cicatrizes do sofrimento do próximo.

Por mais direcionada que essa colocação possa parecer, o filme relata a luta da escritora Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz) contra David Irving (Timothy Spall) que nega a existência do Holocausto. Quando ele resolve processá-la por isso, Deborah entra numa luta sem volta entre interesses. No decorrer da projeção, o roteiro brinca com os fatos e com a montagem do próprio filme para guiar um suspense que cresce para deixar-nos na dúvida se é uma briga por ego ou por provas. Afinal a negação do título vem das duas partes opositoras. Agora, como provar a existência do Holocausto sendo que não há registros ou provas sobre as câmaras de gás, a não ser relatos?

Com um elenco diferenciado que entende o conceito do filme e as nuances de história real que não briga com a adaptação para as telas, Negação é conduzido brilhantemente por diálogos poderosos e cenas que importam. Não há uma tomada que não seja importante. Porém, a briga se mostra um pouco cansativa demais, mas não é mostrada com nenhum recurso que comprima tudo isso, o tribunal é esmiuçado e o longa tenta dar abertura para outros personagens para ganhar um respiro de todo o peso da trama.

Por mais séria que seja essa discussão, o filme se mostra leve em vários momentos e também muito emocional se pensarmos nos sobreviventes e nos familiares que sabem o que houve naquele momento tão obscuro da nossa humanidade e até ganha um final que tira um peso das costas mesmo ainda com as partes desgastadas pelo ego. Lutas como essas, são infinitas, mas cabe o bom senso e a pura honestidade de caráter em reconhecer erros hereditários que podem prejudicar a sociedade como um todo. É um filme de mensagem forte e de um assunto que pode não ser tão presente na nossa história, mas vive assim como várias outras tragédias na memória de muitos.

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AUTOR

Felipe Cavalcante

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