Vigiados

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02.10.2020

Dave Franco entrega um terror inteligente mesmo errando em elementos básicos de roteiro.

A cartilha básica de um bom slasher movie é aproveitar e desenvolver o superficial de seus personagens principais ao máximo para que a gente consiga torcer ou se importar por eles. Cabem aí os nichos, como a babá Laurie Strode em Halloween ou a virgem Sydney Prescott em Pânico. O que esses filmes tem em comum são as mortes evento no decorrer da trama que causam impacto, porém com personagens esquecíveis para que o final seja grandioso e dê ainda mais poder a quem sobreviveu. Cabe nessa análise também filmes como O Albergue, que abre a porta para um tema mais assustador do que o filme de fato. E é nesse ponto que Vigiados, filme disponível no Prime Video, ganha seu espaço.

O diretor debutante Dave Franco, também ator e irmão mais novo de James Franco, inverte boa parte desse conceito, num roteiro bem simples que entrega algumas gafes bobas, mas passageiras, como a sequência do telescópio ou o arrombamento fácil de uma porta super secreta que não serve de nada. O interessante é ver a construção do suspense entre os personagens que conta muito com a ajuda da fotografia do filme que trabalha muito mais planos amplos do que closes, fazendo a gente querer se aproximar cada vez mais da tela. No elenco temos o casal Michelle e Charlie, vividos por Alison Brie (Glow, Entre Realidades) que leva todo o carisma do filme sozinha nas costas e Dan Stevens (A Bela e A Fera, Legion) que faz a linha macho escroto. O outro casal é Mina (Sheila Vand) e Josh (Jeremy Allen White) que é o irmão problemático de Charlie.

Claro, a premissa de dois casais alugarem uma casa de veraneio para passar o final de semana é bem sugestivo a dar errado. O que eles não imaginavam é que estariam sendo vigiados por câmeras pela casa. O roteiro ainda entrega o desenrolar da troca de casais já na primeira tomada e o uso forçado de droga junto da ressaca do dia seguinte, tentam dar motivo para os eventos seguintes. O filme ainda flerta com uma questão de xenofobia, mas só passa de mais uma desculpa do roteiro. O ato final concentra toda a sensação que veio sendo preparada nos primeiros 40min do longa e faz o misterioso assassino ganhar ainda mais força em sequências de roer as unhas. Sem entrar muito em spoiler, o filme vale muito a pena pelo final, que explica todas as nossas dúvidas e é onde mais pode conquistar o público, pelo elemento de perigo e realidade que emprega ao simples ato de alugar uma casa. Será o início de uma franquia?

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AUTOR

Felipe Cavalcante

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