Welcome To The Blumhouse: The Lie

() ‧

06.10.2020

Filme da Blumhouse coloca a relação familiar como a maior ameaça no especial do Prime Video

Como parte do especial de terror promovido pela Amazon Prime Video em parceria com a produtora Blumhouse, a mesma de O Homem Invisível, The Lie estreia no catálogo do streaming com uma proposta bem diferente. A diretora e também roteirista Veena Sud, conhecida por The Killing, pega uma história rasa sobre uma adolescente traumatizada pela separação dos pais e faz com que isso tome outras proporções. Jay (Peter Sarsgaard) e Becca (Mireille Enos) vivem um casal que, como muitos, se separaram por incompatibilidades de convivência, ele músico e ela uma advogada de sucesso. Kayla, a filha deles vivida por Joey King (A Barraca do Beijo) vive de uma casa para outra e lidando com os novos relacionamentos de seus pais.

Na trama, Jay está levando Kayla para um retiro da escola de ballet e no meio do caminho eles dão carona para Britney (Devery Jacobs), a melhor amiga de Kayla, que acaba desaparecendo misteriosamente após eles pararem na estrada próximo a um rio. Nisso, Kayla assume que empurrou a amiga, dando início ao desenrolar do filme. Nessa premissa o roteiro junta todas as pistas mais óbvias possíveis, plantando ganchos de infidelidade de Jay, da forma maliciosa com que Britney fala com o pai da amiga e também deixa no ar um possível amor além da conta de Kayla por seu pai. Fica a cargo então da mãe, Becca de tentar amarrar uma mentira para que a polícia não saiba da verdade.

O twist está justamente nesse ponto em que a investigação em si, que inclusive é quando o longa começa a tomar mais ritmo, acaba não sendo o foco do filme, mas sim o controle e domínio de Kayla sobre seus pais. A personagem, que usa da bombinha de ar como ferramenta de fragilidade para a audiência, ganha a vantagem de se esconder numa mentira para viver uma realidade a parte com a família perfeita. A essa altura valem gritos histéricos sem motivo, se esconder no quarto após uma discussão e abraçar o olhar de vítima de forma profissional. E aí entra o tema real do filme que questiona até que ponto os pais são capazes de defender os filhos cegamente e o que eles estariam dispostos a fazer para isso.

A assinatura da diretora permite interpretações mais completas de seu ótimo elenco, mas mesmo com esse tempo nas mãos, os personagens não conseguem deixar a superfície e causar um impacto de relevância ou de carisma. Joey King é quem ganha as melhores oportunidades e imprime uma adolescente instável, mimada e irritante em contraponto a tudo que já fez na carreira. Nesse contexto, Sud carrega a mão e marca um semblante gelado e de ritmo calmo, que dão forma a linguagem do seu terror psicológico sem precisar de um assassino mascarado, aparições de mortos vivos nos cantos do quarto ou de sonhos para buscar um susto coletivo. Porém, a aposta na reviravolta como maior trunfo, pode fazer o filme sofrer rejeição justamente pela falta de terror na sua escolha.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Cavalcante

OUTRAS CRÍTICAS

Além das Palavras

Além das Palavras

Assim como uma peça de teatro, uma performance, o ritmo na introdução de uma música ou o primeiro verso impactante de um poema, a cena inicial de Além das Palavras dá o tom de uma cinebiografia para uma poeta que transcendeu sua obra e o aparente afastamento de um...

Reds

Reds

Reds é uma obra monumental que mergulha de forma corajosa no turbilhão da história, da política e das emoções. Dirigido, coescrito e protagonizado por Warren Beatty, o filme acompanha a trajetória real do jornalista americano John Reed, que testemunhou e escreveu...

Ahsoka – 1ª Temporada

Ahsoka – 1ª Temporada

Para começar devo dizer que eu gosto muito, muito mesmo de Star Wars, porém não li nada, apenas vi os filmes e as séries e sempre gostei muito. Acho um universo fantástico, então como precisei fazer uma pesquisa para me localizar na cronologia da história trouxe essa...