Welcome to the Blumhouse: Black Box

() ‧

07.10.2020

Filme explora o poder da mente em terror científico

O estudo da mente é um tema que os filmes de terror mais amam, afinal mexer com o subconsciente pode desencadear momentos assustadores. Sabendo disso, Black Box é mais um lançamento do Prime Video e faz parte do especial promovido em parceria com a Blumhouse. O filme, dirigido por Emmanuel Osei-Kuffour, resgata um pouco da série Black Mirror ao contar a história de Nolan (Mamoudou Athie), que precisa retomar sua vida e cuidar de sua filha Ava (Amanda Christine) após perder a esposa e também parte da memória num acidente.

O roteiro acerta ao tentar se moldar na dinâmica entre o pai e a filha para estabelecer as dúvidas do protagonista sobre sua identidade aparentemente apagada. Sem saber ao certo como sua vida era antes, cabe a Ava guiar o pai e tomar conta da casa, literalmente. Os horários da escola, a hora do jantar e todas as tarefas são pacientemente feitas pela menina, na esperança de recuperar seu pai por inteiro. É nesse ponto de impotência de Nolan, que ele procura a Doutora Lillian Brooks (Phylicia Rashad) para o ajudar a recuperar sua memória através do método de hipnose Black Box, que ela criou. Como todo mundo sabe, o médico é sempre o vilão da história por conta de seu ego, então não fica difícil suspeitar das verdadeiras intenções de Brooks.

Durante as sessões, o fato de Nolan não conseguir ver o rosto de ninguém que surge nos cenários se assemelha com projeções de sonho pra tentar mascarar as revelações seguintes e dentro dessa matrix, o filme cria uma figura dismórfica para confrontar o protagonista durante essas viagens pelo subconsciente, mas os efeitos fantásticos param por aí e ficam longe de entregar algo inovador. Sem entregar muitos spoilers, Nolan recupera algumas memórias que não são suas e isso gera consequências para sua filha e coloca outras pessoas em perigo. Porém, o potencial que isso cria para o filme é desperdiçado pela filmagem simples e quase nenhuma nuance de Mamoudou para diferenciar os personagens, que funcionariam muito melhor no estilo Fragmentado.

O saldo acaba sendo razoável pela proposta do longa que, assim como em The Lie, aposta na reviravolta de seu desfecho para sustentar a postura de um suspense psicológico que perturba pelo medo real, mesmo que flerte com ficção científica. Mas o que realmente funciona e é bem explorado, é a luta interna da mente por sobrevivência e o poder que a gente dá para as memórias e os pensamentos.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Felipe Cavalcante

OUTRAS CRÍTICAS

Intocáveis

Intocáveis

Intocáveis é o tipo de filme que lembra por que o cinema existe. Em vez de recorrer a fórmulas grandiosas ou reviravoltas mirabolantes, ele aposta em algo muito mais simples e potente: a conexão humana. Inspirado em uma história real, o longa dirigido por Olivier...

O Melhor Amigo

O Melhor Amigo

Em O Melhor Amigo, Allan Deberton transforma a paisagem ensolarada de Canoa Quebrada no cenário de um reencontro repleto de nostalgia e desejo. Lucas, um jovem arquiteto em crise amorosa, decide viajar sozinho e, no destino, cruza novamente com Felipe, um antigo...

Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo transforma um capítulo pouco conhecido da história da NASA em um drama inspirador sobre talento, resistência e reconhecimento. Ambientado na década de 1960, em meio à Guerra Fria e à corrida espacial, o filme acompanha três cientistas negras que...