Monster Hunter

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26.02.2021

Com história fraca, Monster Hunter se apega a boas cenas de ação para entreter

Quando as primeiras notícias sobre a adaptação para os cinemas do game Monster Hunter foram divulgadas, muitos fãs torceram o nariz, afinal dá pra contar nos dedos as adaptações que fizeram jus à suas inspirações. Nesse caso, a gente vê um breve apego com a franquia Resident Evil por parte do diretor Paul W. S. Anderson e sua musa e esposa Milla Jovovich. O casal retorna para mais uma aventura dos games, mas que não tem o mesmo apelo da outra franquia que durou 7 filmes.

O motivo disso é a comparação imediata com o visual do filme Mad Max. As dunas, os automóveis correndo pelo deserto e até alguns objetos de cena lembram muito o longa de George Miller. Porém, o filme se distancia dessas comparações a partir do momento que abusa do seu maior atributo: as belas e elaboradas cenas de ação. Que não são espetaculares, mas sim muito divertidas e bem executadas. Anderson consegue combinar muito bem os efeitos práticos aos elementos em cgi e torna a experiência grandiosa nesse quesito, se arriscando ainda, em movimentos de câmera que a gente fica se perguntando como aquilo deu tão certo. Pena que poucos personagens sobram para contar história e isso faz com que o filme perca toda sua força.

A história é bem rasa e acompanha a general Artemis (Milla Jovovich) comandando um grupo de soldados, mas depois de uma batalha com um monstro ela é levada para outro mundo onde precisa sobreviver. Até a parte em que ela está acompanhada de seus soldados, o filme corre muito bem, com um elenco surpreendentemente redondo e entrosado, as cenas e os diálogos funcionam, mas aí chega a hora da verdade e a tela coloca apenas Milla em evidência, estratégia utilizada desde seu primeiro filme de Resident Evil. Fica parecendo que a atriz entra em desvantagem ao dividir tela com outros atores que podem ofuscar sua habilidade razoável de atuação que se prende apenas ao seu carisma nato. E quando o filme acha que vai se sustentar com todos os holofotes voltados a Jovovich, ele até aguenta em umas partes, mas na maioria não é suficiente. As fórmulas do roteiro são repetitivas, pouco inteligentes e dá a impressão que vemos a mesma cena de monstro várias vezes durante o filme, tamanha a similaridade das sequências.

É inegável o talento e a potência de Milla Jovovich para a ação, o seu conforto está nessa área e ela parece estar sempre muito à vontade com a maquiagem de machucados e sujeira, mas o filme não tira proveito de nada além disso e não explora uma jornada bem construída. E tudo bem, a promessa nem era essa, acho que a gente sempre espera que um filme traga algo inovador ou que nos transforme. Monster Hunter tem um único objetivo: entreter e brincar de matar monstros.

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AUTOR

Felipe Cavalcante

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