Pinóquio

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19.04.2021

Matteo Garrone faz a adaptação mais ambiciosa de "Pinóquio" até hoje

Com Roberto Benigni (A Vida é Bela) interpretando Geppetto e o novato Federico Ielapi como sua criação de madeira, o novo Pinóquio de Matteo Garrone (O Conto dos Contos) se mostra uma das adaptações cinematográficas mas ambiciosas do clássico infantil de Carlo Collodi, de 1883.

Longe de ser tão emblematicamente excêntrico como O Conto dos Contos do diretor, esta versão bebe na fonte do mesmo estilo visual e não deixa de ser uma versão sem censura retratando o lado sombrio das crianças maltratadas do século XIX. É um daqueles raros filmes que podem atrair pessoas de várias idades, desde crianças a adultos.

A história dispensa apresentações, mas mesmo assim vamos lá: no live-action de Pinóquio, somos apresentados à verdade sombria por trás de um clássico que marcou gerações. O solitário marceneiro Gepeto (Benigni) tem o grande desejo de ser pai, e deseja que Pinóquio (Ielapi), o boneco de madeira que acabou de construir, ganhe vida. Seu pedido é atendido, mas a desobediência do jovem brinquedo faz com que ele se perca de casa e embarque em uma jornada repleta de mistérios e seres mágicos, que o levará a conhecer de fato os perigos do mundo.

O conto ficou famoso pelo clássico filme de animação da Disney de 1940, e o próprio Benigni dirigiu uma adaptação enfadonha em 2002, onde ele também estrelou como um Pinóquio bizarramente velho. Agora também está em andamento uma adaptação em stop-motion com direção de Guillermo del Toro para a Netflix.

Garrone faz uma adaptação histórica, sem dúvidas. Talvez sua realização mais extraordinária com essa adaptação seja que ele consegue casar um cenário social realista, onde mostra as dificuldades passadas pela população rural faminta da Itália do século XIX, com a fantasia onírica e lúdica do conto original de Collodi. Pinóquio é um conto misterioso e estranho sobre metamorfose, onde animais desempenham o papel de humanos e humanos se transformam em animais. A própria ideia de um boneco de madeira que anseia se tornar um menino de verdade tem um leve toque de mistério e terror.

Com pouco mais de duas horas, o filme parece um pouco longo demais, principalmente no começo que demora a engrenar. O final, no entanto, é pura magia. Pinóquio aprende o valor do sacrifício por aqueles que ama e sua recompensa é contada de maneira comovente, mas tão rapidamente que o sentimento prevalece mesmo depois que os créditos sobem.

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AUTOR

Felipe Fornari

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