Jurassic World: Reino Ameaçado tenta fugir do repeteco fácil que poderia ter sido sua maior segurança — e, ao fazer isso, se perde em uma mistura de intenções e estilos. O filme começa com uma premissa até promissora: três anos após os eventos do longa anterior, os dinossauros vivem sozinhos na Ilha Nublar, agora ameaçada por um vulcão prestes a entrar em erupção. A ideia de resgatá-los para evitar uma nova extinção levanta questões éticas interessantes, mas o resultado final é mais bagunçado do que provocador.
A primeira metade do filme entrega o que se espera de uma continuação de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros: ação, nostalgia, explosões e criaturas em fuga. O reencontro entre Owen (Chris Pratt) e a velociraptor Blue funciona bem, assim como os momentos em que o parque abandonado é revisitado. Há até uma boa dose de tensão e espetáculo, culminando em uma fuga frenética da ilha — literalmente correndo de uma nuvem piroclástica.

O problema é que a segunda metade parece pertencer a outro filme, de outro gênero. A trama se transfere para uma mansão gótica (!) onde dinossauros são leiloados e perseguições ocorrem por corredores escuros, quase como se estivéssemos vendo um suspense de terror. A tentativa de trazer algo novo até é válida, mas o tom muda bruscamente e a história se torna inverossímil mesmo dentro dos parâmetros da própria franquia. Em certos momentos, o filme flerta com o ridículo — e não de forma divertida.
Os personagens seguem estereotipados, mas carismáticos o suficiente para não comprometer. Claire (Bryce Dallas Howard) está mais ativa e decidida, abandonando os saltos altos para assumir uma postura mais próxima da heroína de filmes de ação à la James Cameron. Owen, por sua vez, está ainda mais no modo Indiana Jones. Há também um punhado de novos rostos — alguns interessantes, como Zia (Danielle Pineda) e Franklin (Justice Smith), outros esquecíveis. E Jeff Goldblum retorna como Ian Malcolm apenas para repetir frases filosóficas, sem real impacto na trama.
J.A. Bayona assume a direção com certa personalidade, trazendo ecos de Sete Minutos Depois da Meia-Noite em sua tentativa de dar peso emocional ao caos. No entanto, o roteiro escrito por Colin Trevorrow e Derek Connolly não sustenta bem essa ambição. Há uma sensação constante de que estamos assistindo a dois filmes colados à força, um blockbuster descompromissado e um thriller moralista — e nenhum deles se desenvolve plenamente.

Visualmente, o filme impressiona. Os efeitos são bem feitos, as cenas de ação têm energia e a trilha de Michael Giacchino continua a homenagear os temas originais de John Williams com competência. Há ainda referências explícitas a clássicos como King Kong, Aliens, o Resgate e até mesmo Frankenstein, com a criação de um novo dinossauro geneticamente modificado, o Indoraptor. Mas tudo isso parece mais cosmético do que realmente significativo.
Jurassic World: Reino Ameaçado termina com um gancho para mais um capítulo, mas deixa a impressão de que a franquia está forçando sua própria sobrevida. O que era para ser emocionante se torna previsível; o que era para ser grandioso, soa reciclado. Ainda há dinossauros, correria e gritos, claro. Mas falta o encantamento — e, mais do que isso, falta propósito.





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