A Vida de Émile Zola

(1937) ‧ 1h56

02.10.1937

"A Vida de Émile Zola" faz um trabalho competente ao retratar a vida do autor francês

Segundo filme biográfico a ganhar o Oscar de Melhor Filme, depois de Ziegfeld, o Criador de Estrelas, no ano anterior, A Vida de Émile Zola resistiu melhor ao teste do tempo do que seu antecessor. É uma das produções menos ostentosas e pretensiosas entre os primeiros vencedores do Oscar, não apresentando nem um elenco estelar, nem um diretor icônico. É apenas uma história simples, bem contada, com uma mistura habilidosa de narrativa e temas universais.

Mais de um século após sua morte a reputação de Zola foi esquecida, mesmo na década de 1930, quando esta biografia foi feita já não se sabia muito sobre o autor. Hoje, seus romances são conhecidos principalmente por estudiosos da literatura mundial. Se Zola tivesse entrado para a história como um dos gigantes da literatura, não há dúvida de que A Vida de Émile Zola também seria mais lembrado e assistido. Mas do jeito que é, está entre os vencedores do Oscar menos lembrados. Uma pena, porque é um filme interessante que não exige nenhum conhecimento prévio do personagem-título para satisfazer o público.

O filme é dividido em duas partes. A primeira, toma a primeira hora do longa, e é basicamente o passado de Zola. Ela apresenta o autor (Paul Muni, de O Fugitivo) e os personagens secundários em sua vida, incluindo sua esposa, Alexandrine (Gloria Holden, de A Filha de Drácula), e o pintor Paul Cezanne (Vladimir Sokoloff, de Sete Homens e um Destino). Quando o conhecemos, ele é um autor em dificuldades financeiras, com problemas para manter um emprego regular e pagar suas despesas. As coisas mudam com a publicação de Nana, em 1880, que se torna um grande sucesso. Pelos próximos 18 anos, Zola passou a ter uma imensa popularidade. Até que vem o caso Dreyfus.

O capitão Albert Dreyfus (Joseph Schildkraut, de A Loja da Esquina) é injustamente acusado de traição quando o exército decide fazer dele um bode expiatório para proteger um oficial de elite. Quando se torna aparente que a corte marcial de Dreyfus e a subsequente prisão perpétua dele na Ilha do Diabo são injustos, a história toda é acobertada. Zola se envolve na trama depois que a esposa de Dreyfus, Lucie (Gale Sondergaard, de A Marca do Zorro), implora para que ele investigue o assunto. Zola examina as evidências e percebe que uma grande injustiça foi cometida. Ele publica, em 13 de janeiro de 1898, no jornal L’Aurore, sua famosa coluna J’accuse – uma carta aberta ao presidente francês condenando as ações do alto escalão de oficiais militares. O exército processa Zola por difamação, criando assim uma das primeiras grandes sequências de tribunal do cinema americano.

Obviamente, a primeira metade do filme é mais fraca do que a segunda, graças à necessidade de apresentar personagens, fazer um esboço de Zola e sua paixão por consertar o que é errado, além de armar o caso Dreyfus. A segunda metade, por sua vez, é mais dramaticamente interessante. As sequências do tribunal são cheias de suspense e contêm todos os elementos que esperamos de tais cenas, levando o filme a um final satisfatório.

Embora o longa termine de maneira agridoce, o espectador sente que uma história valiosa foi contada sobre um homem que resolveu lutar contra o sistema, e venceu, mesmo que parcialmente. Apenas Erin Brockovich, uma Mulher de Talento mostrou uma luta contra a corrupção da forma como A Vida de Émile Zola o fez (na minha opinião). O caminho para a vitória não é fácil, mas, se fosse, não seria uma história tão convincente.

Apesar de biografias serem comuns no Oscar, raramente são de grande interesse do público. As que optam por uma abordagem abrangente resultam em produções excessivamente longas e desconexas, como Ziegfeld, o Criador de Estrelas. As que se concentram em eventos específicos são mais bem-sucedidas dramaticamente. Essa é a abordagem de A Vida de Émile Zola, com sua sequência empolgante no tribunal, o filme é um drama convincente. E, embora poucos conheçam o nome de Émile Zola, muito da temática de sua cinebiografia é relevante, inclusive, para o mundo de hoje.

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AUTOR

Felipe Fornari

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