Dirigido por Stéphane Demoustier, conta a história da construção do Grande “Arco de La Défense” de forma sensível e compromissada. Tem como ponto de partida a decisão do presidente francês François Mitterrand em lançar um concurso internacional para criar o grande projeto arquitetônico assinatura de seu mandato, para dialogar com o Louvre e o Arco do Triunfo. A surpresa começa quando o vencedor é Johan Otto von Spreckelsen, um arquiteto dinamarquês de 53 anos, desconhecido.
A interpretação de Claes Bang como Johan Otto von Spreckelsen constrói um arquiteto genuíno, sensível e quase ingênuo diante da máquina política e empresarial que passa a cercá-lo. É movido por convicção artística particular: o projeto é uma ideia que precisa permanecer íntegra. Ao seu redor, surgem antagonistas que representam as forças que ameaçam essa pureza: François Mitterrand (Michel Fau), político e figura de poder; Jean-Louis Subilon (Xavier Dolan), o burocrata encarregado de conduzir o projeto pragmático; e Paul Andreu (Swann Arlaud), envolvido na execução e soluções técnicas.

É nesse confronto que O Grande Arco de Paris encontra seu verdadeiro tema: a dissonância entre visão artística e interesses de quem precisa transformar essa visão em obra e orçamento. Historicamente, a Grande Arche nasceu como um projeto de prestígio da presidência Mitterrand, e o concurso que parecia dar liberdade absoluta ao arquiteto rapidamente se transforma em uma negociação permanente. Spreckelsen insiste na geometria rigorosa do seu cubo e no mármore Carrara, enquanto os responsáveis pela execução precisam lidar com custos e viabilidade.
Visualmente, o filme é belo. Demoustier mostra estruturas, fundações e espaços de maneira a fazer sentir a escala do Grande Arche. Que, conforme cresce, pinta a desesperança e frustração proporcional de Spreckelsen. Essa escolha aproxima O Grande Arco de Paris de O Brutalista de muitas formas, especialmente na maneira como ambos transformam arquitetura em personagem. Os dois filmes escolhem colocar o ser humano diante de estruturas e paisagens que parecem grandes demais para serem dominadas.

A comparação com O Brutalista fica inevitável, sobretudo na extraordinária sequência de Carrara. Em O Brutalista, László Tóth (Adrien Brody) visita as pedreiras italianas para escolher o mármore de seu projeto. Enquanto, em O Grande Arco de Paris, Spreckelsen também vai ao local de extração para compreender e defender o material que deseja utilizar. A diferença é: enquanto Brady Corbet utiliza Carrara para discutir artista e mecenas, Demoustier a transforma na peregrinação estética de Spreckelsen. Mesmo com objetivos diferentes, a aproximação é um tanto perigosa e se coloca no risco de gerar comparações.
Por isso, o ângulo certeiro da história é o de arquiteto genuíno, que busca nada além da integridade de sua visão, enquanto seu entorno traduz as diferentes faces opositoras que se revelam quando uma criação deixa de ser algo imaginário e particular do artista que a concebeu. As imagens monumentais, a dimensão histórica fazem um casamento interessante de arte e história. Não é perfeito: algumas disputas pecam em impacto, e outras atuações podem deixar a desejar. Quem sabe, esses pontos sejam um exemplo real do dilema de Spreckelsen entre diretor e estúdio?







