A Ilha Esquecida

(2026) ‧ 1h49

Memórias que nem o tempo pode apagar

Ricardo Feldmann Dotto

Dirigido pela dupla Joel Crawford e Januel P. Mercado (responsáveis por Gato de Botas 2: O Último Pedido) e produzido pela DreamWorks Animation, A Ilha Esquecida chega aos cinemas como uma das apostas mais inventivas e visualmente ousadas do estúdio. O filme combina aventura fantástica, humor e uma profunda imersão na mitologia filipina para contar uma história sobre amadurecimento, perda e laços afetivos.

A história acompanha a jornada de duas amigas, Jo e Raissa, que acabam parando na misteriosa Ilha de Nakali, um território isolado regido por uma lógica própria, habitado por criaturas fantásticas (como o cão-lobisomem Raww e o Príncipe Sereio) e vigiado pela temida Manananggal, figura icônica do folclore filipino.

O grande conflito narrativo surge quando as protagonistas descobrem o preço de retornar para casa: o caminho exige o sacrifício absoluto das memórias construídas ao longo de toda a infância, significando que elas vão se esquecer uma da outra.

A escolha de abraçar o folclore filipino dá ao filme uma identidade única. A Ilha de Nakali não é apenas um cenário bonito, mas um ecossistema estranho e fascinante que desafia o espectador.

Seguindo a tendência moderna de animações que apostam em quadros hiper sensoriais e texturas dinâmicas (muito comparada ao estilo vibrante de produções como o Aranhaverso), a obra se move em um ritmo frenético e alucinante, repleta de cores saturadas e muita energia.

Por trás da grandiosidade da aventura, o roteiro acerta ao transformar o medo do esquecimento e da separação adulta em uma metáfora sensível e genuína sobre o valor das memórias que moldam quem somos.

Entretanto, o ritmo acelerado e o visual hiperativo podem, em alguns momentos, sobrecarregar o espectador, deixando a narrativa visualmente cansativa para os olhos.

Embora a vilã (inspirada na mitologia filipina) possua um design marcante e excelente presença cênica, seu potencial e o de certos coadjuvantes acabam podados por limitações de tempo de tela, recebendo menos desenvolvimento do que poderiam.

A Ilha Esquecida consolida o novo momento criativo da DreamWorks, provando que o estúdio consegue equilibrar blockbuster animado de alta adrenalina com uma sensibilidade temática tocante. É uma obra que diverte e emociona ao lembrar que certas amizades continuam fazendo parte de quem somos, mesmo quando o tempo tenta apagá-las.

ONDE ASSISTIR

OUTRAS CRÍTICAS