“Durante uma conferência de biotecnologia, a liberação de um vírus de rápida mutação transforma o local em uma zona de isolamento. À medida que a contaminação se espalha e os infectados passam por mudanças cada vez mais imprevisíveis, um grupo de sobreviventes precisa encontrar uma maneira de escapar antes que o surto fuja completamente do controle.”
Escrito por Yeon Sang-ho e Choi Gyu-seok, dirigido por Yeon Sang-ho, com cinematografia de Byun Bong-sun, trilha sonora de Chai Min-joo e estrelando Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook, Kim Shin-rok, Shin Hyun-been e Goo Soo, Zona Zero é um suspense de ação e ficção científica de tirar o fôlego e fazer pensar.
Habitantes dos cantos corporativos da internet, sejam todos bem-vindos a um confinamento melequento que nenhum compliance pode resolver.
Após uma importante apresentação que abordava uma descoberta biotecnológica envolvendo um organismo semelhante a um bolor limoso, geneticamente modificado, capaz de regeneração e de transmitir informações entre células por meio de uma espécie de rede biológica coletiva, um cientista dá início a um ataque terrorista no prédio em que acontece o evento, uma espécie de shopping, com uma arma biológica que ele mesmo desenvolveu.

Rapidamente a infecção se espalha, tomando conta do lugar, fazendo com que os poucos sobreviventes lutem incansavelmente e de maneira criativa por suas vidas.
O cinema fantástico sul-coreano é realmente surpreendente. Em 2026, temos títulos que impressionam por seus elementos visuais e narrativos, como Hope: O Primeiro Impacto e Minha Filha é uma Zumbi“, além de diversas outras produções que estão ganhando cada vez mais espaço no mercado cinematográfico e no coração dos espectadores.
Zona Zero dá continuidade a isso, carregando o peso do diretor Yeon Sang-ho do aclamado Invasão Zumbi de 2016, a obra explora o confinamento, a criatividade e questões contemporâneas, tornando-se um retrato dos dias atuais, com uma veia “Romero”, e ao mesmo tempo, com bastante personalidade própria.
No filme a infecção se espalha depressa, transformando as pessoas em “zumbis” sedentos por alimento, porém, com algumas variações importantes e que destoam dos “infectados” convencionais, aqui, eles evoluem rapidamente, incorporando o que aprendem, melhorando sua movimentação, capacidade de identificar a presa, manipulação de objetos, e trabalho em equipe, e tudo isso graças a sua “mente coletiva”.
Como é tradicional, zumbis e sociedade de consumo dialogam aqui, não apenas o consumo humano e dos humanos, mas, também, ao meu ver, das iAs e do machine learning. Por melhor que seja a fonte dos dados e do “prompt”, nem sempre o resultado é exatamente o que foi solicitado, precisando de algumas tentativas e correções ao longo do caminho para se ajustar e executar de maneira apropriada o que fora requerido, muito semelhante com as iAs conhecidas no mercado.
Além das frias interações robóticas entre humanos (e aqui eu não sei dizer se é uma característica do cinema coreano, ou se é um elemento intencional), como pouca ou nenhuma emoção em determinadas atuações e interações, falta de apego emocional, e das consequências naturais de certas cenas, também temos pessoas muito humanas, agindo da maneira que conseguem, como são, dando o melhor de si, mesmo as atitudes de alguns personagens sendo horríveis.
Um dos principais temas de Colony (título em inglês) é o da ética, – proporcionado pela ciência, tecnologia disruptiva, e ganância corporativa – presente em vários personagens, nos experimentos, e de maneira geral na própria história.

O efeito borboleta, que liga o passado ao presente, a manipulação dos eventos por um psicopata, e sua vilania, são pontos importantes que trazem uma complexidade maior à trama, ajudando também a fechar as pontas soltas da história.
No entanto, apesar de apresentar vários elementos narrativos interessantes, principalmente em relação ao drama, a execução deles, que não é necessariamente ruim, deixa um pouco a desejar, sobretudo devido à falta de profundidade e tempo de tela. Um desenvolvimento mais aprofundado dos personagens perde espaço para cenas de ação nem sempre tão impactantes, proporcionando um filme por vezes leve, menos complexo e mais palatável.
A atuação dos infectados e a interpretação dos atores desse núcleo colaboram para concretizar a criatividade e a inventividade propostas pelo filme. Algumas cenas de luta e perseguição geram forte identificação (já que parecem reações que nós mesmos, meros mortais, teríamos), além de a obra apresentar mortes quase traumatizantes, que param exatamente no limite para não se tornarem pesadas demais.
É uma pena que não tenham optado por uma abordagem mais madura do desenvolvimento dos personagens, proporcionando um drama mais convincente e memorável. Imagino que pela extensão da película, poderiam ter sacrificado algumas cenas de ação para desenvolver melhor o drama.

Portanto, fica evidente a dificuldade da direção em priorizar os subgêneros ou ao menos os equilibrar de maneira mais assertiva, e assim explorar plenamente o potencial das críticas sociais.
Isso me faz pensar que se ao invés de uma limitação da direção, tais escolhas possam ser interpretadas como uma espécie de metacrítica, já que em tempos de superexposição, vídeos curtos, baixa retenção, falta de foco e atenção, que talvez sua estrutura seja a personificação da cultura de consumo atual, e nós é que sejamos o real experimento do filme.
O ápice da obra não é tão impressionante, narrativamente o filme é bastante metódico e “fechado”, nos levando ao momento em questão com maestria, no entanto o embate final com o vilão é, visualmente, um tanto quanto anticlimático.
Gunche (título original em Coreano) é um suspense de ação, que combina elementos de drama e ficção científica em uma experiência inventiva, com momentos capazes de surpreender o espectador.








