Mafia da Dor

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29.10.2023

"Máfia da Dor": quando o drama encontra o submundo farmacêutico

O novo filme dirigido por David Yates (Animais Fantásticos e Onde Habitam) estreou na Netflix. O drama criminal Máfia da Dor é estrelado por ninguém menos que Emily Blunt, Chris Evans e Andy Garcia.

A trama baseada numa história real, gira em torno de Liza Drake (Emily Blunt), uma mulher que abandonou o ensino médio, já tentou ganhar a vida de diversas maneiras e está no limite. Ela ainda precisa sustentar a filha, que necessita de um tratamento de saúde urgente.

Eis que então Liza encontra um representante farmacêutico de ética duvidosa (Chris Evans) que oferece um emprego a ela em uma empresa farmacêutica falida em um shopping Center da Flórida. A estratégia da empresa envolve contratar uma equipe carismática de representantes de venda, que conseguem convencer os médicos de que um certo medicamento é uma boa opção para seus pacientes.

Após ajudar a elevar a empresa a um alto nível, a jovem se encontra no centro de uma conspiração criminosa com consequências mortais, que ameaçam a ética e a sua reputação.

O filme aborda uma questão que se tornou um problema real nos Estados Unidos: o vício em opióides. O medicamento funciona como um analgésico potente no corpo humano, mas altamente viciante.

O ponto forte do longa escrito por Wells Tower (The True American) está na atuação. Contudo, o roteiro adaptado apresenta dificuldade para conciliar o drama de Liza com o lado perverso da máquina farmacêutica e às vezes é um tanto grosseiro e sem graça. Emily Blunt está excelente no papel principal, já Chris Evans é apenas útil para o filme e Andy Garcia interpreta um cômico bilionário excêntrico e exagerado que se revela aos poucos.

Ao longo de suas duas horas de duração, o filme abusa demais de clichês e tem muitos deslizes técnicos de um elenco que não parece tão sintonizado quanto poderia, desperdiçando o talento de grandes atores. O longa milionário não passa de uma tentativa pouco inspirada de se parecer com filmes no estilo de O Lobo de Wall Street, onde vemos o capitalismo tardio desenfreado causando ruína na vida de gente comum. Nada de novo.

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AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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