The Hunting Ground

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13.02.2016

No Brasil, os jovens precisam prestar vestibular para concorrerem a vagas em universidades. De maneira diferente, mas também bastante trabalhosa, os jovens nos Estados Unidos precisam passar por diversas etapas para se candidatar a universidades de seu interesse. E, como no Brasil, não há garantia de aceitação. Então ver seu nome na lista de aprovados é um momento de pura felicidade. E o início da vida universitária é cheio de mudanças, adaptação, festas. Festas. E junto com as festas vêm os perigos, como beber além dos limites, dirigir embriagado ou ser molestado sexualmente. E nos Estados Unidos, onde os jovens normalmente vivem no campus universitário, a centenas (senão milhares) de quilômetros da família, esse perigo é ainda maior. Na verdade, nos Estados Unidos, 16% a 20% das garotas são estupradas enquanto na universidade (e não estamos falando dos anos 1950, pessoas!!). E, infelizmente, os culpados não são responsabilizados, e as vítimas são tidas como responsáveis pelo ocorrido (novidade…). E entre depoimentos, dados e uma feroz campanha iniciada por garotas que sofreram abuso, para tentar reverter a situação, o documentário The Hunting Ground traz a canção [video_lightbox_youtube video_id=”ZmWBrN7QV6Y&showinfo=0″ width=”640″ height=”360″ anchor=”Til it Happens to you“], forte e ao mesmo tempo delicada, de Diane Warren (concorrendo a seu oitavo Oscar), cantada por Lady Gaga (indicada pela primeira vez).
01
Documentários nunca são muito fáceis de assistir. Eles sempre trazem temas polêmicos e difíceis de processar. Reafirmam coisas que já sabíamos, mas não queríamos aceitar (podemos continuar não aceitando e ficar impassíveis depois de assistir), e trazem novidades.
The Hunting Ground caiu como uma bomba pra mim. Sempre achei que universidades nos Estados Unidos eram lugares seguros. Nunca tinha ouvido falar das estatísticas apresentadas no filme. Mas quando o documentário – que começa de leve e vai se aprofundando no tema cada vez mais, até te deixar sem chão – te apresenta dados como que 60% das doações de mais de 1 milhão de dólares às universidade americanas são feitas por ex-alunos de fraternidades (que, por serem lugares fora do campus, sem qualquer tipo de controle, têm maior probabilidade de permitir assédios e estupros), ou que atletas não são penalizados por seus atos porque a escola tem interesses econômicos nesses indivíduos, você começa a ver que a figura é outra, que tudo é mascarado.
02
O tema é difícil, muito emocional, ainda mais porque os culpados ainda hoje não são responsabilizados (parece piada, né?). Mas o documentário tenta ser assertivo, acompanhando o trabalho de duas estudantes, [video_lightbox_youtube video_id=”JINxoR-S5To&showinfo=0″ width=”640″ height=”360″ anchor=”Annie E. Clark e Andrea Pino”] (que foram estupradas na universidade e ignoradas pela direção), para chamar atenção para os casos e buscar a punição dos culpados. E a canção interpretada por Gaga (e que tem um videoclipe bem difícil de assistir também), que na minha opinião é a favorita para ganhar o Oscar (apesar de ter que desbancar os temas de 50 Tons de (Eca) Cinza e o novo James Bond, mas dá pra sonhar, né?).
03
Bom, vale a pena conferir o documentário, que tá muito bem feitinho, segue uma lógica muito boa, tem depoimentos, análise de especialistas, e vai ficando mais profundo até dar uma aliviada no final (mas não muito). E não esquece de conferir a canção e votar no nosso bolão 😉
Nota:

[wpdevart_youtube]qUIWN2MXPFk[/wpdevart_youtube]

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Melissa Correa

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