O Escaravelho do Diabo

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14.04.2016

Sabe aquele clássico da sua infância que você prefere que seja deixado em paz? Para mim, um deles é O Escaravelho do Diabo, livro publicado em 1953 por Lúcia Machado de Almeida, que posteriormente foi incluído na Coleção Vaga-Lume em 1972 e reeditado inúmeras vezes, sendo que isso o torna clássico de infância de algumas gerações.

É a vez deste clássico literário alcançar uma nova geração. Uma geração que não lê e prefere ser impactada pelos 90 minutos de uma adaptação cinematográfica que não necessariamente faz jus ao original. Uma pena! A lembrança que os novatos terão de O Escaravelho do Diabo é de uma obra esquecível (se é que faz sentido lembrar de algo esquecível!) e que não os marcará como o original nos marcou em nossa infância.
Apesar de algumas (pra não dizer várias) liberdades, o filme tenta manter o mesmo clima de suspense do material original. A trama, em suma, continua a mesma: a pequena cidade de Vale das Flores é marcada por um crime surpreendente, em que o jovem Hugo Maltese (Cirillo Luna) é encontrado morto com uma antiga espada cravada no peito. O detalhe é que, antes de morrer, ele recebeu uma estranha caixa com um escaravelho dentro. Logo outra vítima é morta, após receber uma caixa semelhante. O delegado Pimentel (Marcos Caruso) e o garoto Alberto Maltese (Thiago Rossetti) começam a buscar esse assassino em série, que escolhe seu alvo com uma característica em particular: são todas pessoas ruivas legítimas.

Um dos problemas do filme está em algumas atuações novelescas, para não dizer caricatas. Porém o maior problema reside na caracterização e apresentação do seu assassino e, cá entre nós, para um suspense de assassinatos, um bandido que não dá medo é um GRANDE problema. Ele é apresentado como um louco sanguinário que assassina suas vítimas a sangue frio, sem hesitar, mas quando finalmente o conhecemos, em seu habitat, com muitos escaravelhos, sua construção cheia de grunhidos, contorções e maneirismos, se torna risível.
O filme é apenas fiel em parte, já que alterou a idade de seu personagem principal visando um público infanto-juvenil que se identifique com o protagonista. Porém, a questão é que nem essa alteração torna algumas cenas menos impactantes para as crianças menores, ao mesmo tempo que o filme não tem força suficiente com os mais velhos.

Para os pais (ou aqueles que leram a obra na infância), não deve ser nenhuma tortura revisitar o clássico, mas também não será nenhuma experiência especialmente estimulante. Infelizmente, um dos longas nacionais mais aguardados do ano será esquecido horas depois do fim da sessão, pedindo para que você revisite o seu clássico em papel e tinta.
Nota:

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AUTOR

Felipe Fornari

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