O Tesouro

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21.04.2016

Muito se fala sobre a importância da igualdade de gêneros e a opressão sofrida pelas mulheres em todos os campos da sociedade, mas já pararam pra pensar na pressão que os homens sofrem? O machismo também vitimiza eles, que são cobrados de ter sucesso profissional, ter uma útima renda, ser bom nos esportes, construir uma famí­lia, serem bons pais e prover todo o conforto e boa vida possí­vel. A competição entre o mundo masculino talvez seja ainda mais acirrada entre os que conquistam e os que ficam nas funções de base do clube do bolinha. Se juntarmos essa responsabilidade com uma crise econômica, aí­ pronto, tudo explode. Um governo pronto para se aproveitar da sua população e mesmo assim encorajá-lo a superar os momentos difíceis não é nenhum privilégio do brasileiro não.


O Tesouro, filme dirigido por Corneliu Porumboiu, ambienta essa frieza e desespero de uma Romênia traumatizada país comunismo ao contar a história de Costi (Toma Cuzin), um jovem pai que vive uma vida normal, cheia de atribuições chatas e obrigações. Ele precisa ajudar seu vizinho a desenterrar um tesouro que pertencia a seu avô para quitar as dí­vidas e sair do sufoco. E se você soubesse da existência de um tesouro, o que faria? Pois é, em momentos de crise, parece a solução, não é mesmo? Claro que esse caminho não é fácil. Ambos os personagens precisam passar por provações e conflitos no trabalho e na vida pessoal para conseguirem esse feito. Nesse sentido o filme não expressa nenhuma agitação para as coisas acontecerem e o estilo de Porumboiu para filmar, carrega a tela de planos fixos e enquadramentos simples, sem nenhum movimento ou tentativa de fazer algo novo. Outra característica do longa, são os diálogos pesados e extensos que poderiam muito bem não existir e poupar tempo de duração, e até existem tentativas de humor vez ou outra, mas só é pego no riso quem tiver a mesma cultura que os europeus, aqui dificilmente nós riremos. Um ponto interessante do filme é a história de Robin Hood, mencionada logo no começo. Esse paralelo acaba sendo um pouco óbvio demais para a história, mas ajuda a abrir os olhos para reflexões como o fato de a sociedade sempre buscar o benefí­cio individual e não coletivo.


Por fim, o filme entrega uma trama branca, no sentido nulo da palavra, sem se preocupar com uma boa atuação do elenco, que se mantém blasé por toda a projeção, ou um cenário mais crí­vel. A produção abusa do estilo minimalista e cheio de lições de moral mascaradas por situações clichês e atinge seu auge sem nenhuma diferença dos outros atos do filme, provocando uma emoção linear e robótica, sem nenhuma nuance.

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AUTOR

Felipe Cavalcante

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