Treze Homens e um Novo Segredo

(2007) ‧ 2h02

22.06.2007

Treze homens e uma vingança inteligente

Treze Homens e um Novo Segredo retoma a fórmula clássica da franquia iniciada em Onze Homens e um Segredo, mas desta vez com um foco ainda mais centrado na execução de um único e complexo plano de vingança. A equipe de Danny Ocean (George Clooney) retorna em grande estilo, deixando de lado as tramas paralelas e relações pessoais para se concentrar no objetivo principal: destruir Willie Bank (Al Pacino), o implacável magnata dos cassinos. O filme não se preocupa em aprofundar personagens, preferindo se apoiar em sua trama intrincada e no carisma dos astros, e, felizmente, isso funciona na maior parte do tempo.

A trama se desenrola em torno de Reuben Tischkoff (Elliott Gould), um dos financiadores originais dos planos de Danny, que foi traído por Bank em um acordo desonesto. Após um ataque cardíaco de Reuben, causado pela traição, Danny e sua equipe se reúnem para arruinar a grande noite de inauguração do novo cassino de Bank. O filme é, essencialmente, uma história de vingança, mas ao invés de recorrer à violência ou ação desenfreada, ele foca em uma abordagem mais cerebral e sofisticada, característica da franquia.

Embora Treze Homens e um Novo Segredo seja uma continuação direta dos eventos dos longas anteriores, há uma clara volta às origens. O roteiro, agora mais enxuto, faz com que o filme seja mais direto ao ponto, lembrando o estilo do primeiro longa. A ausência de Julia Roberts e Catherine Zeta-Jones é notada, mas Ellen Barkin compensa como a única presença feminina significativa, e Al Pacino rouba a cena com uma performance carismática, mantendo o tom leve e divertido do filme.

Um dos pontos mais fortes da franquia sempre foi a química entre os atores. George Clooney e Brad Pitt, como Danny e Rusty, respectivamente, mais uma vez demonstram uma dinâmica impecável, e o filme não se furta a brincar com a relação quase simbiótica entre seus personagens. As interações são tão fluidas que, em certos momentos, fica difícil discernir se estamos assistindo os personagens ou os próprios atores se divertindo em cena, algo que traz charme à produção.

A trama principal se desenrola com um ritmo cuidadosamente calculado. Cada passo do plano é revelado lentamente, quase como se o espectador estivesse assistindo à construção de uma grande máquina de Rube Goldberg, cheia de detalhes interligados. A ausência de grandes cenas de ação é notável, mas não prejudica o ritmo do filme, que mantém a tensão através de suas reviravoltas constantes e soluções criativas para cada obstáculo que o grupo enfrenta.

O filme faz questão de se afastar do estilo exagerado e um pouco confuso de Doze Homens e Outro Segredo. A estrutura é mais simples e o foco maior no plano central cria um sentimento de coesão que o segundo filme não conseguiu manter. Enquanto Onze Homens e um Segredo ainda é o mais bem executado da trilogia, Treze Homens e um Novo Segredo consegue equilibrar humor e suspense de forma competente, o que o torna mais envolvente que seu predecessor imediato.

A estética do filme é um destaque à parte, com um toque de nostalgia evidente nas sequências de créditos de abertura e fechamento, que evocam os filmes clássicos dos anos 1960. Há uma clara homenagem ao Rat Pack original, com menções a Frank Sinatra e uma trilha sonora que remete aos tempos em que Las Vegas era o centro do glamour e da sofisticação.

Um dos aspectos mais inteligentes do filme é a maneira como ele brinca com as identidades dos personagens e atores. A linha entre Danny Ocean e George Clooney, ou entre Rusty Ryan e Brad Pitt, é tão fina que certas cenas parecem comentários autoconscientes sobre a própria indústria do cinema e a amizade dos atores. Isso adiciona uma camada de metalinguagem divertida que não sobrecarrega a trama principal.

No fim das contas, Treze Homens e um Novo Segredo oferece um entretenimento leve e descompromissado, que se destaca por sua execução habilidosa e por trazer de volta a magia do primeiro filme. Embora não seja tão ousado quanto poderia ser, ele compensa pela interação afiada entre os personagens e pela satisfação de ver um plano tão meticulosamente elaborado se desdobrar. Para os fãs da franquia, é uma despedida mais do que adequada, mesmo que ainda deixe a porta aberta para mais aventuras.

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AUTOR

Felipe Fornari

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