Oito Mulheres e um Segredo

(2018) ‧ 1h50

07.06.2018

Oito mulheres e o peso da expectativa

Oito Mulheres e um Segredo apresenta uma proposta intrigante: recriar a fórmula de sucesso da trilogia formada por Onze Homens e um Segredo, Doze Homens e Outro Segredo e Treze Homens e um Novo Segredo, desta vez com um elenco composto exclusivamente por mulheres. No entanto, apesar do charme e da química entre as estrelas, o filme não consegue atingir o mesmo nível de tensão e entretenimento dos seus antecessores. A direção de Gary Ross, embora eficiente em alguns momentos, parece hesitante em transformar a narrativa em algo mais emocionante, deixando a execução do assalto aquém do esperado.

O filme segue Debbie Ocean (Sandra Bullock), recém-saída da prisão, enquanto ela reúne uma equipe de especialistas para realizar um elaborado roubo no Met Gala. As primeiras cenas são promissoras, especialmente com a introdução da dinâmica entre Debbie e sua parceira Lou (Cate Blanchett), que remete à amizade e cumplicidade de longa data vistas em outros filmes da série. Entretanto, conforme o plano do assalto se desenrola, o roteiro parece se perder em detalhes excessivos, deixando pouco espaço para a ação real.

Um dos grandes problemas de Oito Mulheres e um Segredo é a falta de suspense. Enquanto os filmes anteriores da franquia mantinham o público engajado com as reviravoltas inesperadas, aqui tudo parece acontecer sem grandes surpresas ou desafios reais. A trama se desenrola de forma previsível, e o assalto, que deveria ser o clímax da história, acaba sendo uma sequência relativamente sem brilho. Faltou aquele momento de adrenalina que faz os filmes de assalto se destacarem.

Por outro lado, o elenco feminino brilha. Sandra Bullock é carismática como sempre, e Cate Blanchett traz uma presença magnética à tela. Anne Hathaway, interpretando a estrela Daphne Kluger, se destaca com uma performance que mistura ingenuidade e astúcia, roubando várias cenas. Helena Bonham Carter, Rihanna, e as demais integrantes do grupo também têm seus momentos de destaque, mas o filme falha em explorar todo o potencial desse talentoso time.

Há uma sensação constante de que Oito Mulheres e um Segredo está mais preocupado em celebrar o poder de seu elenco do que em realmente entregar um roteiro envolvente. Embora seja divertido ver essas atrizes interagindo e se divertindo juntas, isso não é suficiente para sustentar o filme. A narrativa parece superficial em vários momentos, e a ausência de um antagonista forte ou de obstáculos significativos enfraquece o impacto do enredo.

Outro ponto decepcionante é a conexão com os filmes anteriores. Embora a ideia de trazer a irmã de Danny Ocean como protagonista seja interessante, o filme cria expectativas para um grande cameo que nunca se concretiza. Isso acaba gerando uma certa frustração, especialmente para os fãs da franquia original. A ligação entre os dois universos é tênue, e a ausência de certos elementos que fizeram os primeiros filmes memoráveis é sentida.

Ainda assim, não se pode negar que Oito Mulheres e um Segredo tem seus momentos de brilho. Algumas cenas de interação entre as personagens, como o planejamento do assalto ou a execução de pequenos truques, são bem conduzidas e trazem um leve humor à trama. No entanto, a falta de um conflito mais intenso e de uma maior sensação de risco tira o peso que um bom filme de assalto deve ter.

Em última análise, Oito Mulheres e um Segredo é uma produção que promete mais do que entrega. A ideia de um elenco feminino em uma franquia tão conhecida é, sem dúvida, atraente, mas o filme não consegue aproveitar todo o potencial dessa premissa. O resultado é uma obra agradável, mas longe de ser memorável, que acaba sendo mais um passatempo do que uma adição marcante à saga.

Embora o filme tenha seu valor como entretenimento leve, é difícil não se sentir um pouco decepcionado com o produto final. No fim das contas, Oito Mulheres e um Segredo é um exemplo de como talento e estilo nem sempre são suficientes para compensar a falta de substância em um roteiro que deveria ter mais impacto.

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AUTOR

Felipe Fornari

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