Segredos

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20.10.2024

"Segredos": Uma superfície perfeita, mas sem profundidade

Segredos, o sexto filme do diretor gaúcho Emiliano Ruschel chega aos cinemas. Depois de exibições na cena internacional, o drama estará em cartaz no Brasil e serve como “um alerta para os casais”, de acordo com o próprio Ruschel.

Quem olha para a dupla Naomi (Danni Suzuki) e Noah (Ruschel) vê um sonho personificado. Um amor que nasceu ainda durante a faculdade de Yale, um casamento entre pessoas que se conhecem nos mínimos detalhes, um marido dedicado que sente orgulho da mulher ao seu lado, uma esposa feliz com o homem que escolheu. Porém, as aparências enganam, e o que parece perfeito pode na verdade ser um pesadelo disfarçado.

Ao que tudo indica, dirigir, roteirizar, atuar e produzir não são atividades que devem ser feitas por uma única pessoa na hora de criar um filme, e o motivo é simples: a probabilidade do resultado não ser bom é grande, e Segredos é um exemplo disso (ainda que Emiliano Ruschel o tenha dividido com Trinidad Giachino).

O enredo foi amarrado de uma forma interessante, esse ponto é verdade. Não é absolutamente óbvio, ainda que pouco criativo, mas de qualquer forma foi bem construído. Temos cenas intercalando passado e presente que variam na intensidade dos acontecimentos, sem deixar claro os motivos e os desfechos. Além do detalhe da língua, já que o longa foi completamente filmado em inglês, sendo inclusive esse o seu idioma oficial.

Apesar desses dois pontos, é difícil de acreditar que Segredos tenha sido premiado como Melhor Filme no Marbella International Film Festival, na Espanha. O principal pecado do filme é a falta de clima, de ambientação. Falta a atmosfera da história, aquela coisa que embala todos os outros quesitos, a cor, a luz, os ângulos de filmagem, a atuação dos atores, a trama, e faz o espectador embarcar junto com o que está sendo contado.

Segredos se esforça para criar uma história intrigante, mas acaba falhando em construir a imersão necessária para conquistar o público, não estoure a pipoca.

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AUTOR

Thais Wansaucheki

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