Com Jurassic Park 3, a franquia dos dinossauros mais famosa do cinema atinge seu ponto mais previsível — e, infelizmente, o mais esquecível. Sem Steven Spielberg na direção e com um roteiro que parece ter sido improvisado durante as filmagens, o terceiro capítulo da saga parece mais uma visita a um parque temático em baixa temporada: os mesmos brinquedos de sempre, mas com menos magia e ainda menos propósito.
A proposta até começa com algum potencial. O retorno do Dr. Alan Grant (Sam Neill) poderia indicar uma tentativa de resgatar o espírito do primeiro filme. Mas o paleontólogo é jogado em mais uma viagem à famigerada Ilha Sorna, enganado por um casal desesperado em busca do filho desaparecido. O que poderia ser uma nova dinâmica familiar ou emocional acaba reduzido a diálogos superficiais e correria desenfreada. Literalmente: o filme parece mais interessado em mostrar pessoas fugindo do que em contar qualquer tipo de história.

Os dinossauros continuam a ser o grande atrativo — ou pelo menos deveriam ser. A introdução do Spinosaurus, uma nova ameaça ainda maior que o T-Rex, soa mais como uma tentativa de inflar a escala do perigo do que algo realmente impactante. O pobre T-Rex, inclusive, é tratado com total descaso, eliminado rapidamente num confronto anticlimático. As criaturas voadoras e os raptors “inteligentes” até tentam trazer variedade, mas agem exatamente como seus antecessores: perseguem, atacam, somem. O que antes era espetacular agora parece protocolar.
A ausência de suspense é talvez o elemento mais decepcionante. Não há construção de tensão, não há momentos de pausa ou contemplação — tudo acontece rápido demais, sem espaço para o espectador absorver o que está vendo. A cena mais memorável, curiosamente, não envolve nenhum dinossauro: é um breve reencontro entre Grant e Ellie Sattler (Laura Dern, em participação especial). Uma pausa humana e verdadeira em meio a um filme tomado por personagens rasos e efeitos que já não causam o mesmo impacto.
Falando em personagens, a falta de química entre o casal vivido por William H. Macy e Téa Leoni é gritante. Leoni, aliás, parece completamente deslocada, gritando sem parar e tomando decisões que beiram o cômico. O elenco de apoio — incluindo Alessandro Nivola e Michael Jeter — tenta segurar as pontas, mas o roteiro não lhes oferece quase nada para desenvolver. Nem mesmo Sam Neill escapa ileso: seu Grant está mais cansado que relutante, como se já soubesse que essa aventura não vai dar em nada.

Jurassic Park 3 chega ao fim com um desfecho abrupto e preguiçoso, que depende de uma solução externa sem construção narrativa. A estrutura do filme é tão apressada quanto seu clímax, dando a impressão de que nem os próprios realizadores sabiam muito bem como encerrar a história. No fundo, tudo parece girar em torno de manter a franquia viva até a próxima sequência — mesmo que isso custe a alma do que um dia foi um verdadeiro marco do cinema de aventura.
É triste constatar que uma série que começou com tanto frescor e inovação tenha se tornado um produto tão genérico e esquecível. Jurassic Park 3 não é um desastre completo, mas é o tipo de filme que se assiste e logo se esquece. Um passatempo ruidoso, porém vazio, que reafirma que, sem novas ideias ou cuidado com seus personagens, até os dinossauros mais imponentes acabam virando apenas… fósseis de um bom cinema.





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