Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros retoma a franquia após 14 anos e faz isso com uma energia surpreendente, ainda que sem reinventar a roda. Agora, o parque dos sonhos de John Hammond finalmente virou realidade — uma atração turística de proporções colossais, funcionando a todo vapor e repleto de atrações com dinossauros domesticados, espetáculos acrobáticos e passeios interativos. Mas, como é tradição na série, tudo o que pode dar errado… dá muito errado.
A trama gira em torno de Claire (Bryce Dallas Howard), uma gestora pragmática e ocupadíssima, que tenta manter o interesse do público em alta com uma nova atração geneticamente modificada: o Indominus Rex. É a típica ideia que parece boa no papel e desastrosa na prática. Quando o monstro escapa, é o caos: os visitantes viram presas, os dinossauros se rebelam e só Owen (Chris Pratt), um adestrador de velociraptors, parece ter alguma chance de conter a catástrofe. A presença dos sobrinhos de Claire no meio da confusão serve como o componente emocional clássico — ainda que um pouco forçado.

Mesmo com personagens rasos, o filme funciona bem porque entende qual é o seu papel: entregar uma aventura dinâmica, cheia de ação e nostalgia. O diretor Colin Trevorrow, até então mais conhecido por trabalhos menores, mostra segurança ao equilibrar referências ao original Jurassic Park: Parque dos Dinossauros com sets grandiosos, lembrando ora Spielberg, ora James Cameron. Ele não tem medo de exagerar, e o resultado é um espetáculo visual que se leva a sério apenas o suficiente para manter a plateia envolvida.
Há também um sabor de crítica embutido em meio ao caos. A necessidade do parque de sempre apresentar atrações mais perigosas ecoa o dilema das próprias franquias cinematográficas, que precisam se reinventar constantemente para manter o público interessado. A criação do Indominus Rex é uma metáfora óbvia, mas eficiente, sobre a busca por “mais, maior, melhor”, nem sempre com responsabilidade. Há ainda cutucadas no militarismo e nas grandes corporações, que querem transformar dinossauros em armas — ideias que enriquecem o pano de fundo sem roubar o protagonismo da diversão.
Os efeitos visuais estão entre os melhores da série. A evolução tecnológica desde os anos 1990 é evidente, mas o filme respeita o legado dos animatrônicos e não depende apenas de computação gráfica. A trilha sonora, assinada por Michael Giacchino, acerta ao resgatar temas clássicos de John Williams, fazendo com que o coração bata mais forte nas horas certas. Já o 3D, por outro lado, é completamente descartável e parece ter sido incluído apenas por protocolo de blockbuster moderno.

Diferente de O Mundo Perdido: Jurassic Park e Jurassic Park 3, este novo capítulo acerta ao recriar a sensação de maravilhamento do filme original, ainda que com uma roupagem mais acelerada e cínica. O senso de escala é maior, os perigos mais intensos e o parque finalmente está cheio de vida. Ainda que os personagens humanos continuem sendo coadjuvantes frente aos dinossauros, há carisma suficiente (especialmente de Pratt) para manter a trama coesa.
Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros é, no fim das contas, um blockbuster eficiente. Pode não ter a originalidade do primeiro filme, mas entende o legado que carrega e o atualiza com competência. É um entretenimento pipoca de qualidade, que respeita o passado e entrega o que promete. O parque pode até estar sob risco, mas a franquia — pelo menos por enquanto — mostra que ainda tem fôlego para rugir.





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