Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes

(2025) ‧ 1h45

09.05.2025

"Hurry Up Tomorrow": O som e o silêncio do vazio

Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes é um thriller psicológico que marca a estreia de Abel Tesfaye, conhecido como The Weeknd, como protagonista e co autor do roteiro. Dirigido por Trey Edward Shults (As Ondas, Ao Cair da Noite), o longa acompanha um músico insone que, durante uma noite turbulenta, é levado a uma jornada transformadora por uma misteriosa fã obcecada por seu trabalho, interpretada por Jenna Ortega. A trama explora os limites entre realidade e ilusão, mergulhando na psique de uma estrela em colapso.

O filme é um complemento ao álbum homônimo lançado por The Weeknd em 2024, encerrando a trilogia iniciada com After Hours (2020) e Dawn FM (2022).

Trey Edward Shults também assina o roteiro ao lado de Reza Fahim e The Weeknd. A obra ainda conta com uma ótima participação do excelente ator Barry Keoghan, como Lee.

O filme tem uma atmosfera tensa e onírica, misturando elementos de suspense psicológico com a música de The Weeknd. A relação entre o músico e a estranha deve ser o motor da narrativa, explorando temas de obsessão e a tênue linha entre a realidade e a alucinação.

Destaque para a ousadia do projeto em um retrato cru e fascinante da psique moderna sob os holofotes, com uma estética que remete ao cinema de Gaspar Noé e Nicolas Winding Refn.

Para os fãs de cinema provocador, emocionalmente intenso e musicalmente imersivo, este filme promete ser uma experiência cinematográfica marcante.

No entanto, The Weeknd é um dos pontos fracos do filme. Apesar de poder considerar as cenas de show como os melhores momentos, um roteiro desconexo, atuação fraca do protagonista e algumas cenas tediosas são pontos negativos do longa. O filme entrega uma propaganda morna do novo álbum do artista, mas agrada quem gosta de filmes surreais ou fora da caixa.

O longa poderia ser até considerado um retrato vaidoso e desfocado de The Weeknd. O personagem é pintado como vítima, mas suas atitudes abusivas não são realmente exploradas. A atuação de Abel Tesfaye é apática, e o roteiro é uma tentativa de parecer profundo sem realmente ser. Apesar de alguns momentos visuais interessantes, a narrativa é confusa e emocionalmente vazia, mas mesmo assim é bom de assistir.

ONDE ASSISTIR

AUTOR

Ricardo Feldmann Dotto

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