O Céu Pode Esperar

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"O Céu Pode Esperar": Uma segunda chance entre as nuvens e o campo

O Céu Pode Esperar é uma encantadora comédia romântica com toques de fantasia, que revisita um clássico dos anos 1940 com o frescor e o charme característicos do cinema hollywoodiano dos anos 1970. Co-dirigido por Warren Beatty e Buck Henry, o filme acerta em cheio ao equilibrar leveza, ironia e emoção em uma história sobre destino, amor e recomeços — tudo isso embalado por uma estética polida e um elenco em plena sintonia.

Na trama, Joe Pendleton, quarterback dos Los Angeles Rams, morre de forma prematura e acaba no céu por engano. Descobre que ainda não era sua hora e recebe uma nova chance: voltar à Terra no corpo de um milionário recém-assassinado, Leo Farnsworth. A partir daí, Joe tenta retomar sua vida — inclusive seu lugar no esporte — ao mesmo tempo em que se apaixona por Betty Logan, uma ativista ambiental que contesta os negócios pouco éticos do falecido Farnsworth.

O filme caminha com graça entre o absurdo e o sentimental, com situações cômicas bem dosadas e diálogos espertos. O roteiro transforma a trama improvável em algo leve e envolvente, sem nunca desrespeitar a inteligência do público. Há um bom humor sutil em cenas como aquela em que os vilões do filme — a esposa interesseira de Farnsworth (Dyan Cannon) e seu amante atrapalhado (Charles Grodin) — tentam esconder seus crimes de maneira quase cartunesca.

Warren Beatty, também no papel principal, oferece uma atuação carismática e segura, sustentando o arco cômico e emocional do personagem com naturalidade. Ele é bem acompanhado por Jack Warden, hilário como o treinador fiel e cético, e por Julie Christie, que dá vida a Betty com doçura e firmeza. Há uma química delicada entre os dois, que contribui para que o romance não soe forçado, mesmo dentro da lógica fantasiosa da trama.

Visualmente, O Céu Pode Esperar é elegante e bem produzido. As sequências no céu, em tons brancos e etéreos, contrastam com o ritmo frenético da vida na Terra — uma metáfora visual eficaz para os temas de transição e renascimento que perpassam o filme. O cuidado com a fotografia e o design de produção ajuda a criar um ambiente acolhedor para o espectador, mesmo em meio a assassinatos e possessões corporais.

Embora trate de morte e identidade, o filme nunca se leva a sério demais. É justamente essa leveza que o aproxima das clássicas screwball comedies das décadas de 1930 e 1940, das quais herda o timing cômico e o tom fantasioso. O Céu Pode Esperar olha para esse passado com carinho, ao mesmo tempo em que se atualiza para seu próprio tempo, refletindo uma sensibilidade mais atualizada — e menos cínica — sobre amor e redenção.

Indicado a nove Oscars, incluindo Melhor Filme, O Céu Pode Esperar conquistou tanto o público quanto boa parte da crítica, provando que ainda havia espaço para a fantasia romântica no cinema pós-Nova Hollywood. Com sua mistura de inocência e sofisticação, o longa permanece como um lembrete encantador de que o amor e o acaso podem, sim, caminhar juntos — até mesmo quando o céu se mete no meio do caminho.

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