O Lar das Crianças Peculiares

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28.09.2016

"O Lar das Crianças Peculiares" não encanta tanto quanto o livro de Ransom Riggs

Existe a premissa de que um filme adaptado de um livro muito adorado raramente irá superar sua obra original. Há casos e casos! Mas certamente que O Lar das Crianças Peculiares está mais para uma adaptação mediana do que para a mais inspiradas delas.

No filme, adaptado do romance O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, primeiro da trilogia de Ransom Riggs, após uma tragédia familiar, Jake (Asa Butterfield, de A Invenção de Hugo Cabret) vai para uma ilha isolada no País de Gales buscando informações sobre o passado de seu avô recém falecido. Investigando as ruínas do orfanato onde seu avô viveu, ele encontra um fantástico abrigo para crianças com poderes peculiares e decide fazer de tudo para proteger o grupo de órfãos dos terríveis Étereos.

Tim Burton (Sombras da Noite), que é o responsável por dirigir a adaptação, a partir do roteiro de Jane Goldman (X-Men: Primeira Classe), acerta no visual peculiar da obra, como era de se esperar de um dos diretores mais inventivos do cinema norte-americano, mas peca nas diversas “adaptações” que faz do material original.

A relação de Jake com seu avô é mal explorada no começo do longa e assim, as interações entre eles que deviam ser mais profundas e servir para nos conectar aos personagens do orfanato, acontecem muito rapidamente. O filme não parece interessado nessas interações. Ele está mais preocupado em nos levar para o orfanato e nos apresentar aos visuais e poderes peculiares que serviriam para aproveitar a tão famosa veia visual do diretor.

Grande parte do elenco parece ter atuado no automático, com leve destaque para Eva Green como a Srta. Peregrine, Samuel L. Jackson como o vilão Barron e a participação de luxo de Judi Dench como a Srta. Avocet.

No fim das contas, O Lar das Crianças Peculiares, que tinha tudo para se tornar o início de uma peculiar trilogia se transforma apenas em mais uma franquia em potencial, torcendo para que suas sequências, se existirem, se beneficiem de um pouco mais da peculiaridade do material original.

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AUTOR

Felipe Fornari

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