Sombras da Noite

(2012) ‧ 1h53

Humor, nostalgia e excentricidade em perfeita sintonia

Felipe Fornari

Tim Burton sempre encontrou no fantástico um terreno fértil para desenvolver seu estilo visual inconfundível. Em Sombras da Noite, o diretor revisita o universo dos vampiros sob uma perspectiva bastante peculiar, transportando a clássica criatura das trevas para os extravagantes anos 1970. Em uma época em que os vampiros do cinema buscavam cada vez mais romantização, Burton opta por resgatar o personagem como uma figura deslocada, criando um contraste divertido entre o sobrenatural e os costumes da época.

A trama acompanha Barnabas Collins, interpretado por Johnny Depp, um vampiro que desperta após permanecer aprisionado por quase dois séculos. Ao retornar ao mundo, encontra uma realidade completamente diferente daquela que conhecia, precisando lidar não apenas com as transformações de sua família, mas também com as mudanças culturais e comportamentais de uma nova geração. É justamente desse choque temporal que surgem alguns dos momentos mais engraçados do filme.

A parceria entre Burton e Depp, já consolidada ao longo dos anos, continua funcionando de maneira eficiente. O ator abraça os trejeitos excêntricos de Barnabas com carisma e naturalidade, transformando o personagem em uma figura simultaneamente elegante, ingênua e cômica. Sua dificuldade em compreender os hábitos dos anos 1970 rende situações que exploram bem o humor característico do diretor.

Visualmente, o longa entrega tudo aquilo que se espera de uma produção comandada por Burton. A direção de arte é exuberante, os cenários possuem personalidade própria e a fotografia reforça a atmosfera gótica sem abrir mão do colorido vibrante que marca a década retratada. O resultado é um universo visualmente rico, capaz de sustentar grande parte do encanto da obra.

Ao revisitar temas e estéticas já explorados anteriormente, o cineasta também desperta lembranças de trabalhos como Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça. Embora não alcance o mesmo impacto de seus maiores clássicos, Sombras da Noite demonstra como Burton continua confortável ao transitar entre o humor macabro, o romance e o fantástico.

O principal problema está no roteiro, que apresenta algumas inconsistências e subtramas pouco desenvolvidas. Certos acontecimentos surgem e desaparecem sem o aprofundamento necessário, enquanto alguns personagens acabam recebendo menos atenção do que mereciam. Ainda assim, o ritmo se mantém agradável durante boa parte da narrativa.

Mesmo sem figurar entre os melhores trabalhos de Tim Burton, Sombras da Noite cumpre bem sua proposta de entretenimento. Com mais acertos do que erros, o filme oferece diversão acessível tanto para os admiradores de longa data do diretor quanto para quem está entrando agora em seu peculiar universo cinematográfico. É uma produção leve, divertida e visualmente marcante, sustentada pelo charme de seus personagens e pela identidade artística de seu realizador.

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